Em 1815, o vulcão Tambora explodiu do outro lado do mundo e deixou a Europa sem verão. A fome empurrou famílias suíças para um vale a 846 metros de altitude na serra do Rio de Janeiro. Nova Friburgo, a 136 km da capital fluminense, é a única cidade do Brasil fundada por Decreto Real e a primeira colônia de imigração não portuguesa do país.
Da Suíça ao Morro Queimado
O decreto de Dom João VI, assinado em 16 de maio de 1818, autorizou a vinda de 100 famílias do cantão de Fribourg. Mais de 2 mil suíços embarcaram em 1819; cerca de 1.631 chegaram à Fazenda do Morro Queimado após uma travessia marcada por doenças. O nome da cidade homenageia o cantão de origem, e “Friburgo” vem do alemão Free Burg, que significa “cidade livre”, conforme registros do IPHAN.
Em 1824, colonos alemães se juntaram aos suíços, tornando Nova Friburgo também o primeiro município do Brasil a receber colonização alemã organizada. Depois vieram italianos, portugueses e sírios. Ao todo, dez povos colonizadores se instalaram na região, diversidade celebrada na Praça das Colônias, conforme a Prefeitura de Nova Friburgo.
O que fazer na Suíça Fluminense?
A serra oferece cachoeiras, mirantes, trilhas de escalada e um teleférico que cruza o vale. As atrações se distribuem entre o centro e os distritos rurais de Lumiar, São Pedro da Serra e Mury.
- Teleférico da Praça do Suspiro: quase 1.500 metros de extensão ligando a praça ao Morro da Cruz, com vista panorâmica de 360 graus das montanhas.
- Pico da Caledônia: trilha até 2.257 metros de altitude, uma das mais altas do estado. Vista ampla da Serra Fluminense no topo.
- Parque Estadual dos Três Picos: 65 mil hectares de Mata Atlântica com trilhas, escaladas e cachoeiras.
- Cachoeiras de Lumiar: distrito com dezenas de quedas d’água, incluindo a Véu de Noiva, cercada por mata e ideal para banhos.
- Praça Getúlio Vargas: conjunto arquitetônico e paisagístico tombado pelo IPHAN em 1972, desenhado pelo mesmo paisagista da Quinta da Boa Vista, Auguste Glaziou. Abriga o marco geodésico do ponto central do estado do Rio de Janeiro.
- Jardim do Nêgo: parque de esculturas gigantes ao ar livre criado pelo artista Geraldo Simplício, com cenas do cotidiano rural feitas em argila.
Conhecida como a “Suíça Brasileira”, Nova Friburgo combina uma herança europeia marcante com a exuberância da Serra Fluminense. O vídeo é do canal Cidades & Cia, que conta com cerca de 175 mil inscritos, e destaca o Pico da Caledónia, a economia impulsionada pela moda íntima e o charme da colonização suíça e alemã:
Fondue, truta e cerveja artesanal
Dez povos colonizadores deixaram marcas no cardápio. O distrito de Mury concentra restaurantes com cozinhas suíça, alemã, francesa e italiana ao longo da RJ-116.
- Fondue e raclette: legado direto da colonização suíça, servidos com queijo artesanal local e batata röstie. Tradição mais forte no inverno, quando o frio da serra cai abaixo dos 10 °C.
- Truta da serra: peixe criado em águas geladas de montanha, protagonista do Festival da Truta, realizado em novembro.
- Cerveja artesanal: a Lei Estadual nº 7.954/2018 criou o Polo Cervejeiro Artesanal da região, que abrange Nova Friburgo e outros onze municípios. Cervejarias locais abrem para visitação.
- Queijos e chocolates: a Queijaria Escola, no Memorial da Colonização Suíça, ensina a fabricação artesanal e oferece degustações.
Quando subir a serra?
O clima temperado úmido garante média anual de 18 °C. O inverno é seco e frio, com mínimas que chegam perto dos 7 °C, ideal para fondue e trilhas com visibilidade máxima. O verão é chuvoso, mas perfeito para as cachoeiras de Lumiar.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à serra fluminense?
Nova Friburgo fica a 136 km do Rio de Janeiro pela RJ-116, cerca de 2h30 de carro. Ônibus partem da Rodoviária Novo Rio com frequência diária. O aeroporto mais próximo é o Galeão (GIG). A cidade também integra o circuito serrano que conecta Petrópolis, Teresópolis e Cachoeiras de Macacu.
A cidade livre que encontrou casa do outro lado do Atlântico
Nova Friburgo nasceu de uma catástrofe climática do outro lado do planeta e se transformou em um dos destinos serranos mais completos do Rio de Janeiro. A herança suíça sobrevive no fondue, nos queijos artesanais, nos sobrenomes das ruas e no frio que desce sobre os eucaliptos centenários da praça tombada pelo IPHAN.
Você precisa subir a serra, experimentar um fondue com vista para as montanhas e sentir por que a cidade livre de Fribourg encontrou, do outro lado do Atlântico, um vale que lembra casa.