Um fóssil com cerca de 250 milhões de anos foi encontrado durante as obras de duplicação da RSC-287, em Candelária (RS). O achado ocorreu durante escavações monitoradas próximas à Vila Botucaraí e chamou a atenção de especialistas.
Como o fóssil de rincossauro foi encontrado na RSC-287?
A descoberta foi registrada pela concessionária Rota de Santa Maria, empresa do Grupo Sacyr responsável pelas intervenções na rodovia. O fóssil foi identificado durante escavações realizadas na faixa de domínio da estrada.
O material pertence a um rincossauro, réptil herbívoro que viveu há cerca de 250 milhões de anos, no período Triássico, considerado o início da era mesozoica, popularmente chamada de era dos répteis.
Quais espécies de rincossauro já identificadas na região de Candelária?
Segundo o curador do Museu Municipal de Candelária, Carlos Rodrigues, os rincossauros são considerados fósseis-guia do período Triássico, pois ajudam cientistas a identificar camadas geológicas dessa época em várias partes do mundo.
No município, pesquisadores já registraram duas espécies desse grupo pré-histórico:
- Hyperodapedon sp., que podia atingir cerca de 2 metros de comprimento quando adulto
- Teyumbaita sulcognathus, espécie que podia pesar até 100 quilos e chegar a 3 metros de comprimento
Como o fóssil foi descoberto?
O achado aconteceu durante escavações acompanhadas pelo Programa de Monitoramento e Salvamento Paleontológico, uma exigência prevista no licenciamento ambiental das obras de duplicação da rodovia.
A iniciativa possui aprovação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), enquanto as atividades de coleta e destinação dos fósseis seguem autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM). Veja como foi a descoberta no vídeo divulgado pelo Jornal de Candelária, via Facebook:
Quais os detalhes sobre a região em que o fóssil foi encontrado?
O local onde o fóssil foi encontrado está dentro da área do Geoparque Triássico Vale do Rio Pardo, criado em julho de 2023 para preservar e valorizar o patrimônio geológico da região. Veja os detalhes da região:
Qual o impacto científico e turístico da megadescoberta na região?
De acordo com Djalmar Ernani Marquardt, presidente da Associação de Turismo do Vale do Rio Pardo (Aturvarp), os afloramentos fossilíferos já atraem pesquisadores, cientistas e estudantes interessados em estudar a história geológica da região.
Ele destaca que a empresa responsável pelas obras contratou paleontólogos para acompanhar a duplicação da RSC-287, enquanto o curador Carlos Rodrigues mantém contato com a equipe e realiza treinamentos para engenheiros e trabalhadores envolvidos no projeto.