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Início Geral

Um deserto molhado no Nordeste conquista com lagoas que somem e aparecem em lugares diferentes o ano todo

Por Maura Pereira
05/mar/2026
Em Geral
O deserto de águas cristalinas de água doce que desafia a lógica no Maranhão

Lençóis Maranhenses é destaque no ecoturismo nacional, atraindo turistas para praticar trilhas, passeios de barco e banho das lagoas.

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A areia branca queima os pés e o vento nordeste empurra o viajante morro acima. No topo, o silêncio. Lá embaixo, centenas de lagoas azuis e verdes se espalham entre dunas que avançam até 25 km para dentro do continente. Esse é o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no litoral do Maranhão, com 155 mil hectares de paisagem que não existe em nenhum outro lugar do planeta.

Por que os Lençóis Maranhenses parecem um deserto mas não são?

A resposta está na chuva. Entre janeiro e junho, a precipitação média atinge 1.600 mm anuais na região, volume comparável ao de áreas da Amazônia. A água se acumula nos vales entre as dunas, forma lagoas de até 3 metros de profundidade e cria o cenário que consagrou o parque. No segundo semestre, o sol domina e as lagoas começam a encolher. Lá por outubro, a maioria desaparece.

Esse ciclo anual de cheia e seca explica por que o lugar não é classificado como deserto, apesar dos 90 mil hectares de dunas livres. A região fica na transição entre três biomas, Cerrado, Caatinga e Amazônia, e abriga espécies ameaçadas como o peixe-boi-marinho e o guará-vermelho.

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Caminhe pelas dunas, refresque-se nas lagoas e aproveite um contato único com a natureza exuberante maranhense. // Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

Patrimônio da UNESCO desde 2024

Em julho de 2024, o Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO reconheceu os Lençóis Maranhenses como Patrimônio Natural da Humanidade durante sessão em Nova Délhi. Foi o primeiro título natural concedido ao Brasil em 23 anos. O comitê destacou a beleza excepcional e o caráter único do fenômeno geológico, com cadeias de dunas que migram de 4 a 25 metros por ano sob a ação do vento.

O reconhecimento impulsionou o turismo. Em 2024, o parque recebeu 440 mil visitantes, crescimento de 191% em relação aos 141 mil de 2019. O ICMBio já estuda mecanismos de controle de visitação para preservar o ecossistema.

Os Lençóis Maranhenses são um dos cenários mais surreais do planeta, com milhares de lagoas cristalinas entre dunas infinitas. O vídeo é do canal Viagens Cine, que conta com mais de 160 mil inscritos, e apresenta os melhores passeios por Barreirinhas, Santo Amaro e Atins, incluindo dicas de época e hospedagem:

Quais lagoas e passeios não podem ficar de fora?

Três cidades servem de base para explorar o parque: Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão e Atins. Cada uma oferece circuitos diferentes de lagoas e experiências.

  • Lagoa Azul: a mais famosa, acessada por veículo 4×4 a partir de Barreirinhas. Águas calmas cercadas por dunas altas, ideal para banho.
  • Lagoa Bonita: mirante no topo das dunas com vista panorâmica de todo o campo. O circuito inclui parada para banho e almoço regional.
  • Lagoa das Emendadas: em Santo Amaro, onde as lagoas se conectam em corredores de água entre dunas maiores e menos visitadas.
  • Passeio pelo Rio Preguiças: de voadeira saindo de Barreirinhas, com paradas em Vassouras, no Farol de Mandacaru (54 m de altura) e na praia de Caburé, entre o rio e o mar.
  • Atins: vila de pescadores na foz do Preguiças, com praias desertas, ventos fortes para kitesurf e restaurantes rústicos à beira da areia.
A porta de entrada para o deserto molhado do Nordeste que encanta com uma vida calma
Barreirinhas-MA, portal dos Lençóis Maranhenses, oferece dunas brancas, lagoas cristalinas e passeios de 4×4 no Parque Nacional de areias e águas. // Créditos: Wikipédia

Sabores maranhenses entre um passeio e outro

A gastronomia da região gira em torno dos frutos do mar frescos, temperados com ingredientes locais. Barreirinhas concentra a maior oferta de restaurantes, muitos deles na Avenida Beira Rio, com mesas voltadas para o Preguiças.

  • Arroz de cuxá: prato emblemático do Maranhão, feito com vinagreira, camarão seco e gergelim torrado.
  • Camarão grelhado de Atins: preparado no carvão com urucum e manteiga, receita criada por cozinheiras da vila.
  • Peixe na telha: assado em telha de barro, servido com pirão e farofa de farinha d’água.
  • Sucos de bacuri e buriti: frutas típicas do norte maranhense, refrescantes no calor constante da região.

Quando ir aos Lençóis Maranhenses?

O clima é tropical, com temperatura média anual de 27 °C e duas estações bem definidas. A melhor janela para ver as lagoas cheias vai de junho a setembro.

CHUVOSA
JAN – JUN
25-32 °C
Chuva alta. As lagoas estão enchendo; ideal para passeios fluviais e ver a vida renascer.
SECA (ALTA)
JUL – SET
25-33 °C
Chuva baixa. Lagoas cheias e céu aberto; é a melhor época para o visual clássico.
TRANSIÇÃO
OUT – DEZ
26-34 °C
Chuva mínima. As lagoas começam a secar, oferecendo um destino mais exclusivo e vazio.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Visite Barreirinhas na seca (jul-dez) para lagoas cheias nos Lençóis Maranhenses. // Créditos: Wikipédia

Como chegar ao parque saindo de São Luís?

Barreirinhas fica a cerca de 255 km de São Luís pelas rodovias BR-135 e MA-402, trajeto de aproximadamente 4 horas. Ônibus partem diariamente da rodoviária da capital. Transfers privativos também operam o trecho. Para quem vem do Ceará ou do Piauí, a Rota das Emoções conecta Jericoacoara, o Delta do Parnaíba e os Lençóis em um roteiro de cerca de 500 km pela costa nordestina.

Conheça as dunas que guardam lagoas do tamanho de piscinas naturais

Poucos lugares no mundo reúnem tanta grandeza natural em um cenário tão acessível. O parque entrega silêncio, cor e uma paisagem que muda a cada estação, sempre diferente do que era no ano anterior.

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Você precisa subir essas dunas, mergulhar nas lagoas dos Lençóis Maranhenses e entender por que a UNESCO levou 23 anos para voltar a reconhecer um patrimônio natural no Brasil.

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