Pedras gigantes equilibradas sobre um lajedo de granito, céu aberto o ano inteiro e fachadas coloniais que já apareceram em mais de 50 produções audiovisuais. Cabaceiras, foi apelidada de “Roliúde Nordestina” no Cariri paraibano e transforma a seca em identidade e o sertão em cenário de filme.
Como um vilarejo seco se tornou a Roliúde Nordestina
Com média anual de chuvas abaixo de 300 mm, Cabaceiras carrega o título de município com menor índice pluviométrico do país. A luz forte e constante chamou a atenção de cineastas nos anos 1990. O diretor Guel Arraes escolheu a cidade para gravar cenas de O Auto da Compadecida (2000), baseado na obra de Ariano Suassuna. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída por volta de 1720, teve sua cor original alterada para azul durante as filmagens e assim permanece até hoje.
Depois do sucesso do filme, produções como Cinema, Aspirinas e Urubus (2006), Onde Nascem os Fortes (2018) e dezenas de documentários e videoclipes passaram pelo município. O apelido “Roliúde Nordestina” ganhou até letreiro próprio na entrada da cidade, inspirado no original de Hollywood.
O que visitar no sertão que parece outro planeta?
Os roteiros de Cabaceiras se dividem em quatro eixos, segundo o portal de turismo da prefeitura: a Rota dos Lajedos, a Rota do Couro, a Rota Histórica Cultural e a Rota Cinematográfica.
- Lajedo de Pai Mateus: cartão-postal da cidade, com mais de 100 matacões de granito que pesam até 45 toneladas. A formação tem cerca de 500 milhões de anos e guarda pinturas rupestres dos índios Cariris, estimadas em 12 mil anos. O pôr do sol no lajedo é considerado um dos mais bonitos do sertão.
- Pedra do Capacete: o matacão mais famoso, com formato que lembra um capacete militar. Fica dentro do mesmo complexo do Lajedo de Pai Mateus.
- Saca de Lã: lajedo vizinho com pinturas rupestres e mirante natural com vista para a caatinga.
- Memorial Cinematográfico: no centro histórico, reúne fotografias, figurinos e objetos das filmagens realizadas na cidade.
- Trilha do Vale dos Cântaros: caminhada por cânions e paredões de rocha que revela a paisagem bruta do semiárido.
Cabaceiras é a famosa Roliúde Nordestina. O vídeo é do canal Geografia da Paraíba, com mais de 14 mil inscritos, e exibe os cenários cinematográficos e a história dessa cidade no Cariri:
Bode assado e queijo de cabra no prato do sertão
A caprinovinocultura sustenta boa parte da economia local e dita o cardápio. A carne de bode é protagonista na mesa cabaceirense, servida assada no forno a lenha ou em receitas tradicionais do Cariri.
- Bode assado: preparado em forno a lenha com temperos regionais, é o prato símbolo da cidade.
- Buchada de bode: vísceras cozidas em caldo temperado, receita herdada de gerações de criadores.
- Queijo de cabra: produzido artesanalmente, acompanha quase todas as refeições.
A Festa do Bode Rei, realizada anualmente em junho, marca a abertura do São João no Cariri. O festival reúne shows de forró, feira de artesanato em couro, exposição de animais e concursos de culinária à base de bode.
Quando ir e como chegar à Roliúde do sertão?
O clima semiárido garante sol na maior parte do ano. As poucas chuvas se concentram entre fevereiro e maio, quando a caatinga reverdece por algumas semanas. De junho a janeiro, o tempo seco e a luminosidade intensa tornam os passeios aos lajedos mais confortáveis.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade?
Cabaceiras fica a 180 km de João Pessoa pela BR-230 e PB-148, cerca de 2h30 de carro. De Campina Grande, são apenas 50 km pela mesma PB-148. Os aeroportos mais próximos ficam em João Pessoa e Campina Grande. Não há transporte público frequente até a cidade, por isso o carro é o meio mais prático para explorar as atrações rurais.
Sertão que merece a sua visita
Cabaceiras prova que a paisagem mais seca do Brasil pode ser a mais surpreendente. São rochas de 500 milhões de anos, pinturas rupestres milenares, cenários de cinema e uma gastronomia que transforma o bode em arte.
Você precisa assistir ao pôr do sol no Lajedo de Pai Mateus e entender por que tantos cineastas escolheram esse pedaço do sertão paraibano como set a céu aberto.
