O cheiro de terra vermelha depois da chuva e o som do tereré sendo preparado na calçada recebem quem chega a Dourados, próximo ao Paraguai, no sul de Mato Grosso do Sul. A segunda maior cidade do estado cresceu 24% em doze anos e segue atraindo famílias em busca de emprego, universidade e um ritmo de vida que as capitais já perderam.
De colônia militar a cidade universitária em menos de dois séculos
Em 1861, o tenente Antônio João Ribeiro comandava uma colônia militar às margens do rio que deu nome ao município. A região era território dos povos Guarani, Kaiowá e Terena, cujos descendentes vivem ali até hoje. O município foi oficialmente criado em 1935, desmembrado de Ponta Porã, e nos anos seguintes recebeu levas de migrantes gaúchos, paulistas e paranaenses atraídos pela fertilidade do solo.
Um dado surpreende: em 1960, Dourados era o município mais populoso de todo o antigo Mato Grosso, superando Campo Grande e Cuiabá. A perda de território com emancipações reduziu os números, mas o crescimento nunca parou. Segundo o IBGE, a estimativa para 2025 é de 264 mil habitantes.
Como é o dia a dia de quem mora na capital da terra roxa?
Dourados tem ruas largas, traçado organizado e um trânsito que raramente exige mais de 15 minutos de deslocamento. Os bairros Jardim dos Estados e Vila Planalto concentram condomínios e escolas particulares. Já o Bairro Universitário abriga estudantes e profissionais jovens, com aluguéis mais acessíveis que os de qualquer capital do Centro-Oeste.
O IDH de 0,747, terceiro maior do estado, reflete bons indicadores de educação e renda. A cidade sedia a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e a Unigran, o que lhe rendeu o apelido de Cidade Universitária. Hospitais de referência regional atendem pacientes de dezenas de municípios vizinhos e até do Paraguai, a cerca de 120 km.
Conheça a principal força econômica do interior do Mato Grosso do Sul, onde o agronegócio e a educação de qualidade caminham lado a lado. O vídeo é do canal Cidades do Interior, que conta com mais de 30 mil inscritos, e apresenta Dourados, destacando a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o Parque Antenor Martins e a pujança de suas indústrias:
Três culturas numa só mesa: a gastronomia do cotidiano
A influência paraguaia está em cada esquina. Quem mora em Dourados aprende cedo a distinguir uma boa chipa de uma mediana e sabe que sopa paraguaia, apesar do nome, não tem nada de líquida. É uma torta densa de milho, queijo e cebola, servida em padarias, feiras e festas de família.
- Tereré: erva-mate com água gelada, bebida ritual entre amigos e vizinhos, presente em qualquer roda de calçada.
- Sopa paraguaia: torta salgada de milho e queijo, herança direta da fronteira com o Paraguai.
- Chipa: pão de polvilho e queijo em formato de rosquinha, comum no café da manhã e no lanche da tarde.
- Sobá: macarrão de origem okinawana trazido pela colônia japonesa, consumido em feiras e restaurantes.
A comunidade japonesa também marca presença na culinária e na agricultura. O Japão Fest, promovido pelo Clube Nipo-Brasileiro, já soma mais de 18 edições e reúne pratos orientais na Praça Toshinobu Katayama, espaço dedicado à cultura nipônica.
Onde o douradense encontra lazer e natureza na cidade?
Os parques são o coração da vida social. Ao fim da tarde, famílias se espalham pelos gramados com cuias de tereré e crianças nas quadras.
- Parque dos Ipês: principal área verde, com pista de caminhada de 380 m, Teatro Municipal, biblioteca e quadras esportivas. Abriga feiras culturais às terças e sextas.
- Parque Antenor Martins (Parque do Lago): lago com campeonatos de pesca, quadras e amplo gramado na região oeste.
- Praça Antônio João: coração do centro, ao lado da Catedral Imaculada Conceição, construída em 1925.
- Usina Velha: ruínas da antiga usina termoelétrica, tombadas como patrimônio histórico.
Na Rua Presidente Vargas, figueiras centenárias tombadas desde 1985 formam um túnel verde que virou símbolo da identidade urbana. A Expoagro, realizada desde 1966, é a maior feira agropecuária do estado e movimenta a economia da cidade todo mês de maio, reunindo tecnologia, shows e cerca de 100 mil visitantes, segundo a Prefeitura de Dourados.
A maior reserva indígena urbana do país fica aqui
As aldeias Jaguapiru e Bororó formam a Reserva Indígena de Dourados, demarcada em 1917 e reconhecida como a maior em contexto urbano do Brasil. São 3.500 hectares onde vivem mais de 20 mil indígenas das etnias Guarani, Kaiowá e Terena, conforme dados da Secretaria de Cidadania do MS. Essa presença marca a identidade de Dourados no artesanato, na toponímia e nos costumes diários.
Quando o clima favorece cada tipo de programa?
O verão é quente e chuvoso, típico do Centro-Oeste. O inverno surpreende com noites frias e sensação térmica próxima de zero em alguns dias de julho.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Dourados saindo de Campo Grande?
A cidade fica a 230 km da capital pela BR-163, cerca de 3 horas de carro. Ônibus partem da rodoviária de Campo Grande com frequência diária. O Aeroporto Municipal Francisco de Matos Pereira opera voos regionais. Para quem vem de São Paulo, a distância é de aproximadamente 1.050 km pela BR-267.
Conheça a cidade que cresce sem perder o quintal
Dourados combina a estrutura de uma cidade média com o ritmo de quem ainda toma tereré na calçada e conhece o vizinho pelo nome. A terra roxa que sustenta o agronegócio é a mesma que colore os pés depois de uma caminhada no parque.
Você precisa conhecer Dourados e sentir o que é viver numa cidade que dobrou de tamanho em poucas décadas, mas ainda guarda o sossego de interior.