A Polícia Federal (PF) finalizou a investigação sobre o repasse ilegal de dados confidenciais a membros do Comando Vermelho (CV) e decidiu indiciar o deputado estadual Rodrigo Bacellar, do União Brasil, o ex-parlamentar Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, além de outros três envolvidos no caso.
O que indica a investigação da PF sobre Bacellar, TH Joias e Comando Vermelho?
Segundo a Polícia Federal, o deputado Rodrigo Bacellar, o ex-deputado TH Joias e outras três pessoas foram indiciados por suspeita de repassar informações sigilosas a integrantes do Comando Vermelho. Entre os crimes apontados estão organização criminosa, obstrução de Justiça e favorecimento pessoal.
As suspeitas envolvem acesso antecipado a dados de operações, inclusive a Operação Zargun, e possível uso de cargos públicos para proteção de investigados ligados à facção. Para a PF, essa atuação pode ter reduzido o impacto de ações policiais e fortalecido a estrutura do grupo criminoso no estado. As informações são do Metrópoles.
Como teria ocorrido o vazamento de dados da Operação Zargun?
A Operação Zargun foi planejada para atingir a estrutura de negócios atribuída a TH Joias, já preso anteriormente por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. As investigações o vinculam a negociações de armas e equipamentos para o Comando Vermelho, como elo entre o meio político e a facção.
Segundo a PF, o vazamento ocorreu em momento decisivo: um dia antes do cumprimento dos mandados, TH Joias deixou às pressas o imóvel em que morava na Barra da Tijuca. O local apresentava sinais de saída repentina, o que reforça a hipótese de aviso prévio sobre a ação policial.
Como funcionaria a rede de proteção institucional ao Comando Vermelho?
Os indiciamentos alcançam também Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, apontados como peças relevantes na engrenagem do vazamento. O inquérito descreve uma possível rede de proteção institucional articulada para blindar interesses da facção criminosa.
Para a PF, o acesso privilegiado a relatórios, planejamentos e informações reservadas teria ocorrido a partir de estruturas oficiais, beneficiando não apenas indivíduos específicos, mas o Comando Vermelho como um todo, ao permitir reorganização de rotas, atividades e condutas diante de operações em andamento.
Quais práticas teriam permitido o vazamento de informações sigilosas?
A investigação detalha condutas que, em tese, favoreceram a antecipação de ações policiais e a comunicação prévia a alvos ligados ao Comando Vermelho. Esses pontos ajudam a compreender o alcance do esquema e seu impacto na eficácia das operações de repressão ao crime organizado:
- Antecipação de mandados e diligências sigilosas em operações da PF.
- Comunicação prévia a investigados associados ao Comando Vermelho.
- Possível uso de cargos e funções públicas para acesso a dados restritos.
- Benefícios indiretos à facção, com reorganização de atividades e rotas.
Quem foi indiciado e quais são as consequências jurídicas?
Além de Rodrigo Bacellar e TH Joias, foram indiciados Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado, suspeitos de integrar ou colaborar com organização criminosa voltada a proteger integrantes do Comando Vermelho. As acusações incluem obstrução de Justiça e favorecimento pessoal.
O desembargador do TRF-2 Macário Judice Neto chegou a ser preso, mas não foi indiciado, pois a responsabilização de magistrados segue rito próprio da Lei Orgânica da Magistratura.