A mudança de relatoria do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) provocou uma reconfiguração discreta, mas relevante, na condução da investigação, com maior protagonismo técnico da Polícia Federal (PF) e afastamento de auxiliares próximos ao ex-relator Dias Toffoli.
Como a entrada do ministro André Mendonça afetou o caso Banco Master?
A entrada do ministro André Mendonça no inquérito reduziu a interferência direta do gabinete do relator e devolveu à PF o fluxo tradicional de trabalho sobre o material apreendido na Operação Compliance Zero. Com isso, houve revisão de decisões de Toffoli que concentravam no STF o controle do acesso às provas eletrônicas.
O ponto central da disputa está na forma de gestão das provas e na autonomia da PF para analisar cerca de 100 dispositivos eletrônicos, incluindo celulares e computadores. Mendonça liberou a corporação para distribuir as perícias internamente, afastando escolhas personalizadas e reforçando critérios técnicos na seleção de peritos e delegados. As informações são da coluna Malu Gaspar, do jornal O Globo.
O que mudou na gestão das provas e no trabalho da Polícia Federal?
Segundo a PF, o volume de trabalho exigido pela perícia é elevado e demandaria, em regime de dedicação exclusiva, cerca de 20 semanas para um único técnico analisar apenas sua parte. Com a nova orientação, as extrações de dados passaram a seguir o “fluxo ordinário de trabalho” da instituição, com divisão entre peritos habilitados conforme regras internas.
Todas as senhas de acesso ao material foram canceladas e renovadas apenas para especialistas indicados pela direção da PF, afastando na prática o perito escolhido diretamente por Toffoli. Ao mesmo tempo, Mendonça determinou que agentes, delegados e responsáveis pelo inquérito não compartilhassem detalhes sigilosos com superiores hierárquicos.
Quais são as principais medidas adotadas na condução da investigação?
Essas medidas reforçaram o peso da área técnica e reduziram a margem de interferência externa e interna, criando um modelo mais institucionalizado de atuação no caso Banco Master. O controle do sigilo foi ampliado inclusive em relação à cúpula da PF, após atritos envolvendo o diretor-geral Andrei Rodrigues e ministros do STF.
A seguir, estão resumidas algumas das principais mudanças implementadas por Mendonça que impactam diretamente a dinâmica da apuração e o papel da PF na condução do inquérito:
- Mudança de relatoria: saída de Dias Toffoli e entrada de André Mendonça no caso Master.
- Reforço técnico: redistribuição dos cerca de 100 dispositivos entre peritos da PF conforme critérios internos.
- Restrição de acesso: cancelamento de senhas antigas e novas credenciais apenas para técnicos designados.
- Controle de sigilo: proibição de repasse de informações sigilosas a superiores hierárquicos e outras autoridades.
Quem são os auxiliares afastados da investigação do caso Master?
As mudanças atingiram diretamente dois nomes ligados a Toffoli: o perito Lorenzo Victor Schrepel Delmutti e o delegado federal Rafael Dantas. Lorenzo havia sido designado para analisar o conteúdo do celular de Marcos Vorcaro, mas perdeu a senha após a redistribuição técnica dos dispositivos e passou a depender de decisões da PF.
Já Rafael Dantas atuava nos bastidores assessorando o gabinete de Toffoli e foi encarregado de apurar o vazamento das perguntas do depoimento de Vorcaro, ocorrido em 30 de dezembro. Essa investigação sobre o vazamento não avançou antes da redistribuição do caso, e, com a saída de Toffoli da relatoria, o delegado foi automaticamente afastado.
Qual é o impacto político e institucional das decisões no caso Master?
As decisões no caso Master ocorrem em meio a tensão entre ministros do STF e a cúpula da PF, agravada pelo relatório de cerca de 200 páginas entregue por Andrei Rodrigues a Edson Fachin com indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli. Entre os pontos sensíveis está o pagamento de aproximadamente R$ 35 milhões do banco ligado a Vorcaro por participação no resort Tayaya, empreendimento do qual Toffoli admitiu ser sócio.
Após uma reunião reservada entre ministros, Toffoli renunciou à relatoria, e Mendonça se posicionou de forma crítica à conduta do diretor-geral da PF ao levar diretamente um dossiê ao STF.