A operação “Sem Remorso”, deflagrada pela Polícia Federal em Santa Catarina, apura o desvio de cerca de R$ 1 milhão de clientes idosos da Caixa Econômica Federal, supostamente praticado por um ex-gerente de agência entre janeiro e agosto de 2022.
Como foi a operação da PF contra o ex-gerente da Caixa em SC?
A investigação mira um ex-gerente suspeito de usar o cargo para realizar movimentações e saques não autorizados em contas de correntistas idosos. Nesta terça-feira (24/2), a PF cumpriu mandado de busca na residência do investigado, em Dionísio Cerqueira (SC).
Foram apreendidos documentos, um telefone celular e um carro de luxo, bens que podem indicar a origem e o destino dos valores supostamente desviados. A PF busca reconstruir o caminho do dinheiro e dimensionar o alcance das fraudes nas contas bancárias afetadas.
Como o peculato e o abuso de confiança se relacionam ao caso investigado?
O ponto central é a suspeita de peculato, quando um agente público se apropria de bens ou valores administrados em razão do cargo. O ex-gerente teria usado seu acesso privilegiado para efetuar saques e transferências sem autorização, atingindo principalmente idosos.
As vítimas, muitas delas dependentes de atendimento presencial, costumam delegar ao gerente a intermediação de operações, o que facilita desvios silenciosos sem conferência frequente de extratos. O prejuízo estimado de R$ 1 milhão, atualizado para o período de 2022, acende alerta em órgãos de controle pela vulnerabilidade desse público.
Como a Caixa Econômica Federal identificou as movimentações suspeitas?
A Caixa detectou movimentações atípicas em contas de clientes e instaurou processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do então gerente. A análise interna apontou irregularidades compatíveis com desvio de recursos e violação de normas de segurança e conduta.
O ex-servidor foi demitido em julho do ano anterior por “conduta incompatível com a função”, e os elementos do procedimento foram enviados à Polícia Federal. Para diferenciar erros operacionais de fraudes internas deliberadas, são avaliados diversos tipos de ocorrências, como as descritas a seguir:
- Saques em série com valores fora do padrão habitual do cliente;
- Transferências para contas sem vínculo aparente com o correntista;
- Alterações cadastrais feitas sem solicitação do titular da conta;
- Uso indevido de senhas ou autorizações obtidas em situação de confiança.
Quais pontos a operação “Sem Remorso” ainda busca esclarecer?
Com a busca e apreensão, a PF passa a examinar documentos físicos, registros no celular e dados sobre o carro de luxo, para verificar possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O material pode revelar se houve participação de terceiros, dentro ou fora da instituição bancária.
A investigação pretende identificar todas as vítimas, mapear o trajeto do dinheiro e vincular os bens apreendidos aos valores desviados. Caso as suspeitas se confirmem, o ex-gerente poderá responder por peculato, lavagem de dinheiro e, eventualmente, associação criminosa, além de ações civis de ressarcimento.
Quais são os impactos para idosos e para o sistema bancário brasileiro?
Desvios de recursos de idosos, que muitas vezes dependem de aposentadorias e benefícios previdenciários, geram forte preocupação social. Esses casos reforçam a necessidade de conferência regular de extratos e saldos, mesmo quando há relação de confiança com o gerente.
Para o sistema bancário, investigações como a “Sem Remorso” impulsionam o fortalecimento de controles internos, auditorias e alertas automatizados voltados a perfis sensíveis. A cooperação entre bancos e PF busca responsabilizar agentes envolvidos em fraude interna e aprimorar a proteção patrimonial de correntistas idosos.