A construção da maior fábrica de celulose do mundo em Mato Grosso do Sul recoloca o setor florestal brasileiro em evidência no cenário internacional e redefine o cotidiano do município de Inocência e de toda a região leste do Estado. O empreendimento, liderado pela Arauco, prevê uma unidade de celulose de fibra curta em larga escala, com capacidade anual projetada de 3,5 milhões de toneladas e investimento próximo de R$ 25 bilhões, em área industrial instalada próxima ao Rio Sucuriú.
Como funciona o projeto da maior fábrica de celulose do mundo?
A celulose produzida na unidade será destinada majoritariamente à exportação, atendendo sobretudo países asiáticos que utilizam essa fibra em papéis sanitários, embalagens e diversos produtos industriais. A combinação entre escala produtiva, tecnologia moderna e integração logística busca reduzir custos, aumentar a competitividade brasileira e garantir regularidade de fornecimento.
Além da linha principal de produção de celulose, o complexo industrial inclui áreas de tratamento de água, geração de energia, recuperação química e manejo de resíduos. A base florestal envolve extensas áreas de plantio de eucalipto em municípios vizinhos, formando um cinturão produtivo que abastece continuamente a fábrica.
Como será a logística integrada para o escoamento da produção?
O projeto foi concebido com um arranjo logístico ferroviário próprio para movimentar toda a produção anual estimada de 3,5 milhões de toneladas até o Porto de Santos. Esse modelo reduz a dependência do transporte rodoviário de longa distância, melhora a previsibilidade de embarques e diminui custos operacionais e emissões de CO₂.
Dentro da área da fábrica, haverá um sistema ferroviário interno conectado a pátios de estocagem e carregamento, de onde os trens seguirão até a malha ferroviária já existente. A frota dedicada de locomotivas e vagões foi dimensionada para otimizar o fluxo de cargas e facilitar a operação portuária.
O perfil do Semadesc, que conta com mais de 16,5 mil seguidores, mostra o andamento das obras dessa megafábrica:
De que forma a nova ferrovia impacta o transporte de celulose no Brasil?
A ferrovia associada ao Projeto Sucuriú é um diferencial estratégico, ao ligar a planta industrial à malha ferroviária nacional por meio de trilhos internos e um trecho de conexão de dezenas de quilômetros. Ao operar em regime dedicado, essa infraestrutura retira parte significativa do fluxo de caminhões das rodovias estaduais e federais da região.
Esse sistema ferroviário apresenta características que ajudam a entender sua relevância para a logística de celulose e para a infraestrutura regional:
- Extensão dos trilhos: cerca de 9 km dentro da área industrial e aproximadamente 45 km até a conexão com a ferrovia de longa distância.
- Capacidade de transporte: estrutura para escoar toda a produção anual, com 26 locomotivas e 721 vagões dedicados.
- Redução nas rodovias: potencial para retirar por volta de 190 caminhões por dia das estradas, sobretudo nas rodovias MS-377 e MS-240.
- Obras de engenharia: construção de pontes, passagens superiores e inferiores e adequação de estradas vicinais em áreas rurais.
Quais são os principais impactos econômicos e sociais em Inocência?
A instalação da maior fábrica de celulose do mundo em um pequeno município como Inocência altera rapidamente indicadores econômicos, sociais e urbanos. O volume de trabalhadores temporários e famílias eleva a população local, ampliando a demanda por moradia, serviços públicos e infraestrutura básica durante e após as obras.
Entre os reflexos mais evidentes estão a necessidade de alojamentos, novos loteamentos e unidades residenciais, além da expansão de escolas, creches, unidades de saúde e transporte coletivo. A economia local tende a se diversificar com novos comércios, serviços e empresas ligadas à logística, manutenção e cadeia de suprimentos.
Qual é o papel do Projeto Sucuriú no setor brasileiro de celulose?
O investimento da Arauco em Mato Grosso do Sul consolida o Brasil como um dos principais polos globais de celulose de fibra curta, baseada em florestas plantadas de eucalipto. A escala da unidade, somada à ferrovia dedicada e à competitividade da base florestal, reforça a posição do país como grande exportador de produtos de origem florestal.
No longo prazo, o Projeto Sucuriú deve influenciar o uso do território, acelerar a urbanização em municípios da região leste do Estado e estimular novos projetos industriais e logísticos. Esse movimento abre debates contínuos sobre desenvolvimento regional, qualificação de mão de obra, planejamento urbano e gestão ambiental sustentável.