O debate em torno do desfile da Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio de Janeiro de 2026 ganhou novo fôlego após a reação do senador Carlos Portinho (PL-RJ), líder do PL no Senado, à declaração de Lula (PT).
Como o líder do PL reagiu à declaração de Lula?
Questionado sobre críticas de setores evangélicos ao enredo que o homenageou, Lula afirmou que “não é carnavalesco” e que “não pensa” nos protestos dos conservadores. A fala foi vista por lideranças cristãs como desconsideração às queixas de fiéis que se sentiram atacados pelo desfile.
Portinho reagiu dizendo que Lula “pode não pensar nas críticas”, mas que os cristãos “não podem esquecer” delas, em tom de defesa do eleitorado religioso. De forma irônica, chamou o presidente de “pé-frio”, associando-o ao rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, última colocada no Grupo Especial.
Por que o desfile da Acadêmicos de Niterói gerou insatisfação entre cristãos?
A polêmica central recai sobre a representação dos chamados “neoconservadores” no desfile da escola de samba. A Acadêmicos de Niterói homenageou Lula e criou uma ala específica, “Neoconservadores em conserva”, em tom de sátira a grupos que lhe fazem oposição política e ideológica.
As fantasias remetiam a latas de conserva e usavam esse símbolo para criticar a “família tradicional”, composta por homem, mulher e filhos, e setores como agronegócio, apoiadores do regime militar e evangélicos. Para lideranças religiosas, a crítica política teria ultrapassado limites, alcançando a esfera da fé e da identidade cristã.
Como a ala “Neoconservadores em conserva” foi construída politicamente?
A ala “Neoconservadores em conserva”, numerada como ala 22, mesmo número do PL nas urnas, reforçou a leitura política do enredo. A escola descreveu o grupo como representação crítica de forças ligadas a pautas liberais na economia, costumes conservadores e defesa da família tradicional.
Para explicitar essa crítica, a Acadêmicos de Niterói reuniu em um mesmo conjunto visual diferentes segmentos que, segundo o enredo, comporiam o campo neoconservador no Congresso:
- defensores da família tradicional formada por homem, mulher e filhos;
- personagens associados ao agronegócio, como o fazendeiro;
- figuras ligadas ao apoio ao regime militar e à exaltação das Forças Armadas;
- representações de evangélicos e outros grupos religiosos conservadores;
- defensores da flexibilização do porte de armas e de reformas econômicas liberais.
Como o PL e Portinho analisaram o episódio politicamente?
Ao comentar o episódio, Carlos Portinho buscou se firmar como porta-voz da indignação de cristãos e conservadores. Ele destacou a sensibilidade de parte do eleitorado em relação à forma como religião e família são retratadas no carnaval, acusando o governo de minimizar a importância desses valores.
O uso da expressão “pé-frio” para Lula, associando-o ao rebaixamento da escola que o homenageou, serviu como recurso simbólico para desgastá-lo. A fala de Portinho combinou crítica religiosa, referência ao universo carnavalesco e disputa política, dialogando diretamente com a base evangélica e ruralista do PL. Veja publicação recente do parlamentar:
Governo Lula é o governo do Impostor. Aquele q só pensa em impostos e mais impostos. Tudo para sustentar a maquina do Estado e muita corrupção. Sempre. Não tem como continuar isso. Quem empreende e trabalha não aguenta mais. https://t.co/qiil2Su4yu
— Carlos Portinho (@carlosfportinho) February 23, 2026
Qual é o impacto do caso?
A declaração de Lula, ao dizer que não pensa nas críticas de evangélicos ao desfile, passou a ser usada pela oposição como evidência de distanciamento em relação ao público cristão. O episódio aprofunda a tensão entre o governo do PT e o PL, que reúne muitos parlamentares ligados a igrejas e ao agronegócio.
Ao mesmo tempo, o caso reacende o debate sobre os limites entre liberdade de expressão artística, crítica política e respeito às crenças religiosas. A controvérsia envolvendo Lula, a Acadêmicos de Niterói e líderes conservadores tende a permanecer como referência nas discussões sobre carnaval, religião e disputa ideológica no Brasil.