A greve geral na Argentina, convocada contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei, já impacta passageiros em vários aeroportos brasileiros, com cancelamentos e remarcações de voos desde a madrugada desta quinta-feira (19/2).
Como a greve geral na Argentina foi motivada?
A paralisação foi chamada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), em resposta à reforma trabalhista enviada por Javier Milei ao Congresso. O texto, aprovado no Senado, começou a ser discutido nesta quinta-feira pela Câmara dos Deputados, em meio a forte pressão sindical.
Além da paralisação, são esperados protestos nas imediações do Parlamento argentino, com protocolo específico de segurança para a imprensa. Manifestações recentes em Buenos Aires já registraram confrontos com a polícia e dezenas de detidos, elevando a preocupação com possíveis situações de risco.
Quais aeroportos brasileiros foram afetados pelos cancelamentos de voos?
A greve geral na Argentina atingiu em cheio as rotas aéreas entre os dois países, especialmente para Buenos Aires. Em São Paulo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, ao menos dois voos da Latam para a capital argentina foram cancelados, enquanto a Gol ajustou parte de sua operação.
Em nota, a Latam informou que alguns voos podem operar com alteração de horário ou data, e a Gol declarou que a greve impossibilita todas as operações aeroportuárias em Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário. Em outros estados, o impacto foi nulo ou limitado, conforme a malha disponível para a Argentina. Para facilitar a visualização dos principais reflexos nos aeroportos brasileiros, confira abaixo os locais com registros de cancelamentos e ajustes nas operações:
- Guarulhos (SP): pelo menos dois voos da Latam para Buenos Aires cancelados; Gol também com ajustes.
- Brasília: um voo cancelado no Aeroporto Internacional, originalmente previsto para as 9h.
- RIOgaleão (RJ): cancelamento de 16 voos de chegada e 15 de partida envolvendo a Argentina.
- Rio Grande do Sul: dois voos afetados, um de Buenos Aires (Aeroparque) às 18h30 e outro de Porto Alegre às 21h05.
- Florianópolis (SC): ao menos 32 voos na rota com a Argentina cancelados desde quarta-feira (18).
- Natal (RN): quatro voos suspensos, dois de chegada e dois de partida para Buenos Aires.
Como a greve na Argentina afeta passageiros brasileiros?
O efeito principal para quem tinha viagem marcada é a necessidade de reorganizar deslocamentos em curto prazo, com remarcações, pedidos de reembolso e, em alguns casos, hospedagem extra. A alta demanda por atendimento gera filas em balcões e centrais, mesmo com canais digitais ativos.
Entre as recomendações estão verificar o status do voo antes de sair de casa, manter contatos atualizados para avisos em tempo real, guardar comprovantes de gastos extras e acompanhar notícias sobre a greve. A paralisação também afeta turismo e negócios, com remarcações em cadeia no setor aéreo e hoteleiro.
Quais cuidados adotar em caso de cancelamento de voos?
Para minimizar transtornos, é importante que o passageiro conheça seus direitos e as políticas de cada companhia, principalmente em situações de greve em país estrangeiro. Muitas empresas oferecem remarcação gratuita em determinadas datas, crédito em voucher ou reembolso parcial ou integral.
Especialistas em direito do consumidor recomendam registrar todas as interações com a companhia, preferir canais oficiais e, em caso de negativa injustificada de assistência, buscar órgãos de defesa do consumidor. Em viagens com conexão, é prudente considerar maior margem de tempo entre os trechos.
O que esperar nos próximos dias para o transporte aéreo?
O desfecho da greve geral está diretamente ligado ao andamento da reforma trabalhista no Congresso argentino, cuja votação deve avançar até o início de março. Se o texto for aprovado rapidamente, a tendência é de redução imediata das paralisações; em caso de impasse, novos protestos podem ocorrer.
Para o passageiro brasileiro, o cenário imediato é de atenção redobrada e planejamento, evitando deslocamentos ao aeroporto sem confirmação do voo. Enquanto persistir a instabilidade política e sindical, companhias como Latam e Gol devem manter o alerta para conferência antecipada das condições de viagem.