A poucos meses das eleições presidenciais de 2026, Brasília acompanha com atenção o movimento que concentra em André Mendonça um conjunto raro de atribuições no sistema de Justiça, em investigações sensíveis e na cúpula do Tribunal Superior Eleitoral.
Por que André Mendonça virou um ponto de convergência entre Poderes?
Ministro do STF, relator de casos ligados ao INSS e ao Banco Master e prestes a assumir a vice-presidência do TSE, André Mendonça se tornou peça central entre Judiciário, governo federal e Congresso. Essa sobreposição de funções adquire peso extra em um ambiente de denúncias, disputas institucionais e forte carga eleitoral para 2026.
Setores do Executivo, da oposição e do Centrão monitoram seus passos, atentos ao potencial de suas decisões para atingir diferentes grupos políticos. A avaliação predominante em Brasília é que seus despachos podem influenciar tanto a estabilidade institucional quanto o ritmo e o alcance das investigações em curso.
Como a relatoria sobre INSS e Banco Master ampliou o poder de Mendonça?
A tríade INSS, Master e TSE resume o campo de atuação de Mendonça em casos de alto impacto. Ele já era relator do inquérito que apura suspeitas de desvio de recursos de aposentados do INSS e passou a conduzir a investigação sobre fraude financeira ligada ao Banco Master, após a saída de Dias Toffoli da relatoria.
No caso Master, relatório da PF apontou a citação de Toffoli em mensagens apreendidas em celulares de investigados, como o empresário Daniel Vorcaro. O desgaste institucional e as pressões políticas abriram caminho para a redistribuição do processo, que ficou com Mendonça, reforçando a conexão entre o caso Master, a fraude no INSS e seu papel no TSE em ano eleitoral.
Como Congresso, PF, governo e STF enxergam o papel de Mendonça?
A escolha de Mendonça para relatar o caso Master foi bem recebida por setores da oposição e pela CPMI do INSS, que veem na mudança chance de destravar diligências e ampliar o escopo das apurações. Entre parlamentares de diferentes partidos, consolidou-se a percepção de que os inquéritos podem atingir petismo, bolsonarismo e Centrão.
Na Polícia Federal, a troca de relator reduziu tensões existentes com Toffoli e restabeleceu um canal de diálogo mais previsível com o STF. Um dia após assumir o caso, Mendonça recebeu delegados responsáveis pela investigação para ouvir um panorama das diligências realizadas e das próximas fases planejadas, em agenda vista como um gesto de cooperação institucional. Essa nova configuração é acompanhada por diversos atores, que enxergam potencial de impacto político e jurídico nas próximas decisões:
- Oposição e CPMI do INSS: usam o caso como instrumento de pressão sobre o governo.
- Governo federal: observa riscos para aliados e possíveis efeitos em sua base no Congresso.
- PF: busca estabilidade, previsibilidade e respaldo técnico às diligências sensíveis.
- STF e meio jurídico: medem danos do episódio Toffoli e avaliam o estilo de Mendonça.
Quais efeitos a combinação INSS, Master e TSE pode ter em 2026?
A interseção entre INSS, Master e TSE ganha um componente adicional com a mudança na cúpula da Justiça Eleitoral. Em junho, Cármen Lúcia deixa a presidência do TSE, Nunes Marques assume o comando e Mendonça passa a ser vice-presidente da Corte, em um ano em que o tribunal tende a ser protagonista.
Além da função administrativa, Mendonça participa de julgamentos de grande visibilidade, como as representações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposta propaganda antecipada no desfile da Acadêmicos de Niterói. A tendência é que esses casos sejam apreciados ainda antes da troca de comando, já consolidando seu padrão de voto na arena eleitoral.
Como o desempenho atual de Mendonça pode influenciar sua atuação no TSE?
Para o meio político, o acúmulo de atribuições transforma cada decisão de Mendonça em termômetro da relação entre Justiça e política em 2026. Governistas e oposicionistas avaliam se seu perfil técnico prevalecerá diante da intensa pressão pública e do calendário eleitoral apertado.
No campo jurídico, a forma como ele conduz o caso Master e as investigações do INSS é vista como teste de estilo para sua atuação na cúpula do TSE. Em meio a disputas narrativas, fiscalização do uso da máquina pública e monitoramento de desinformação, Mendonça se consolida como um dos principais focos de atenção na capital federal.