O Tribunal Superior do Trabalho confirmou uma condenação histórica contra o Itaú por danos morais e negligência corporativa. A decisão encerrou uma disputa jurídica de quatorze anos iniciada após a prisão de um ex-funcionário acusado de fraude sem provas consistentes.
Como uma denúncia precipitada levou um funcionário exemplar à prisão em 1998?
O caso teve início quando a chefia do banco acusou o gerente de participar de um esquema de cheques falsos, denunciando-o imediatamente às autoridades policiais. O profissional foi detido preventivamente por nove dias e teve sua imagem exposta na imprensa como estelionatário antes de qualquer julgamento oficial.
A Justiça Criminal acabou arquivando o processo por ausência total de evidências que ligassem o colaborador ao crime. Mesmo assim, o banco manteve a demissão por justa causa, forçando o trabalhador a buscar a reparação de sua honra e de seus direitos trabalhistas nos tribunais do Rio de Janeiro.
Quais foram os fundamentos do TST para manter o valor da indenização?
Os ministros da Segunda Turma do TST consideraram que o banco agiu com abuso de poder e violou o dever de diligência ao expor o empregado à humilhação pública. A indenização de R$ 480 mil, que corrigida para os valores de 2026 ultrapassa R$ 1 milhão, possui caráter punitivo e pedagógico.
Confira a linha do tempo deste embate jurídico que se tornou referência no direito do trabalho brasileiro:
Quais foram os danos extrapatrimoniais sofridos pelo ex-colaborador do Itaú?
O estigma de ser apontado como criminoso causou o afastamento de amigos e familiares, além de um período de desemprego prolongado de quase dez anos. A Justiça do Trabalho reconheceu que o sofrimento psicológico e o isolamento social gerados pela conduta do Itaú foram irreversíveis e devastadores.
O caso reforça que a responsabilidade civil das empresas, amparada pelos artigos 186 e 927 do Código Civil, não termina na demissão. Denúncias caluniosas ou precipitadas que resultam em restrição de liberdade exigem reparações financeiras compatíveis com a gravidade da violação dos direitos humanos fundamentais.
Como a reversão da justa causa impactou os direitos rescisórios do gerente?
Ao anular a dispensa motivada, o Poder Judiciário obrigou a instituição financeira a quitar todas as verbas de uma demissão comum. O ex-gerente garantiu o recebimento do FGTS com multa de 40%, aviso prévio indenizado, férias proporcionais e o levantamento das guias de seguro-desemprego.
Para empresas que desejam evitar processos similares, especialistas recomendam seguir este protocolo de compliance antes de formalizar denúncias graves:
- Realização de auditoria interna independente para coletar provas documentais inquestionáveis.
- Concessão do direito ao contraditório e ampla defesa para o funcionário suspeito antes da rescisão.
- Manutenção do sigilo absoluto sobre investigações em curso para preservar a imagem dos envolvidos.
Como a Reforma Trabalhista de 2017 alterou as indenizações por danos morais?
Embora a nova legislação tenha tentado limitar o valor dos danos morais ao salário do empregado, o STF decidiu que tais limites são apenas referenciais. Em situações de extrema gravidade, como prisões injustas, os juízes brasileiros continuam autorizados a fixar valores condizentes com a dor da vítima.
A lição que fica para o setor bancário em 2026 é a necessidade de prudência extrema em investigações de fraudes internas. A tecnologia de monitoramento atual permite identificar desvios com precisão, mas a decisão final sobre a idoneidade de um indivíduo ainda exige critério, ética e respeito à presunção de inocência.