O debate em torno da permanência do ministro Dias Toffoli na supervisão do inquérito do caso Banco Master ganhou nova dimensão após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, ser provocado a analisar possível conflito de interesse após menções ao magistrado em mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF).
Qual a relação de Toffoli no caso do Banco Master?
O inquérito do Banco Master decorre da apuração de supostas fraudes financeiras na Operação Compliance Zero, conduzida pela PF, e já gerava críticas à condução do ministro Dias Toffoli antes das mensagens extraídas do telefone de Daniel Vorcaro. As decisões sobre sigilo e manejo das provas passaram a ser vistas por investigadores e analistas como pouco usuais e de difícil transparência.
Entre os pontos de contestação estão a imposição do mais alto grau de sigilo ao inquérito, restringindo o acesso aos autos, e a decisão de manter acauteladas as provas da segunda fase da operação, retardando seu compartilhamento. Após críticas, Toffoli enviou o material à Procuradoria-Geral da República (PGR) e designou quatro peritos, buscando reforçar a formalidade e a aparência de regularidade do procedimento. As informações são da CNN.
Como surgiram suspeitas de conflito de interesse envolvendo Toffoli?
A permanência de Toffoli no caso passou a ser mais questionada após a revelação de que o ministro teria viajado ao Peru, para a final da Copa Libertadores, em jatinho de advogado ligado ao caso Master, o que levantou dúvidas sobre proximidade com partes interessadas. Somaram-se a isso as informações sobre conexões de familiares de Toffoli, sócios do resort Tayayá, com fundos de investimentos associados a Daniel Vorcaro, apontados como possível fonte de conflito de interesse.
Esses elementos passaram a ser observados sob a ótica da suspeição e da imparcialidade, já que, em tese, poderiam enquadrar-se nas hipóteses de impedimento e suspeição previstas na legislação. No plano institucional, essa discussão pressiona o STF a demonstrar rigor interno no controle de postura de seus ministros em casos que envolvem potenciais vínculos privados.
Como Fachin passou a avaliar a suspeição e a permanência de Toffoli?
Com as novas informações levantadas pela Polícia Federal, o presidente do STF, Edson Fachin, foi oficialmente comunicado sobre a existência de arquivos com referências a supostos pagamentos a Toffoli, mencionados por Fabiano Zettel, primo de Vorcaro e investigado no inquérito. A PF esclareceu não ter pedido formal de suspeição, por não ser parte, mas encaminhou o material para resguardar a regularidade da apuração.
Diante disso, Fachin solicitou manifestação de Toffoli sobre as menções encontradas no celular de Vorcaro, permitindo que o relator apresente explicações nos autos. Em nota de 11 de fevereiro de 2026, o gabinete de Toffoli classificou qualquer pedido de suspeição baseado nesses dados como “ilações” e alegou ausência de legitimidade jurídica da PF à luz do artigo 145 do Código de Processo Civil, prometendo encaminhar esclarecimentos diretamente ao presidente do STF.
Como a defesa de Vorcaro e os vazamentos influenciam o inquérito?
A defesa de Daniel Vorcaro passou a criticar publicamente o que chama de vazamento seletivo de informações sobre a investigação, afirmando que a divulgação fragmentada de trechos de mensagens gera constrangimentos indevidos. Na avaliação dos advogados, esse tipo de exposição favorece leituras parciais, impacta a opinião pública e pode prejudicar o pleno exercício do direito de defesa, sobretudo em processo que alcança autoridades do STF.
Essas críticas se somam ao debate sobre a suspeição de Dias Toffoli e tendem a influenciar o ritmo da apuração, o peso dado às provas e a confiança nas decisões futuras. A tensão em torno do inquérito reforça a necessidade de controle rigoroso de sigilo e de comunicação institucional, para evitar que o processo seja percebido como politizado ou desequilibrado:
- A PF identificou menções a pagamentos envolvendo Toffoli em mensagens de investigados.
- O gabinete de Toffoli aponta ausência de legitimidade da PF para suscitar suspeição.
- A defesa de Vorcaro denuncia vazamentos seletivos e prejuízo à estratégia defensiva.
- O debate público pressiona o STF por maior transparência e clareza procedimental.