A construção da Ponte Internacional de Guajará-Mirim, na BR-425, em Rondônia, entra na agenda de grandes obras de infraestrutura previstas para iniciar em 2026, com investimento estimado em R$ 421 milhões e potencial para abrir um novo corredor logístico entre Brasil e Bolívia rumo ao oceano Pacífico com essa megaponte.
Qual a importância da megaponte Brasil–Bolívia?
A chamada “megaponte” será erguida sobre o rio Mamoré, conectando Guajará-Mirim (RO) a Guayaramerín, na Bolívia, e criando uma saída terrestre para o Pacífico por meio do território boliviano. Essa nova ligação pretende complementar os atuais corredores voltados aos portos do Atlântico, diversificando o escoamento da produção nacional.
O empreendimento integra o Novo PAC e teve sua formalização em agosto de 2025, quando o DNIT assinou contrato para os projetos básico e executivo e futura execução das obras civis. O prazo estimado de construção é de cerca de 36 meses, com conclusão prevista até 2029, dependendo do andamento das etapas e do licenciamento ambiental.
Quais são as principais características técnicas da obra?
A ponte terá extensão total de aproximadamente 1,22 quilômetro e largura de 17,3 metros, permitindo fluxo simultâneo de veículos em ambos os sentidos, inclusive cargas pesadas. O dimensionamento considera padrões de segurança, resistência a cheias do rio Mamoré e integração com as normas de trânsito internacionais aplicáveis a corredores de exportação.
No lado brasileiro, o acesso ficará no km 142,7 da BR-425, com cerca de 3,7 km de extensão, enquanto o acesso boliviano terá aproximadamente 6 km, sob responsabilidade do governo da Bolívia. Juntos, esses trechos formarão um corredor contínuo até as conexões rodoviárias que levam aos portos chilenos no Pacífico. Veja os detalhes da obra:
Ponte Internacional de Guajará-Mirim
Características técnicas, investimentos e finalidade estratégica
Localização
Dimensões
Tipos de Uso
Acessos Viários
Investimento
Prazo de Execução
Finalidade Estratégica
Como a rota Brasil–Bolívia–Pacífico pode transformar o transporte de cargas?
A proposta da rota terrestre Brasil–Bolívia–Pacífico é discutida há anos por setores de infraestrutura, comércio exterior e agronegócio, que veem na ponte um passo concreto para encurtar distâncias até portos chilenos. Além do ganho logístico direto, o corredor tende a reduzir a dependência exclusiva dos portos do Sudeste e Sul do Brasil, hoje bastante congestionados.
Especialistas em logística indicam que os efeitos mais esperados dessa nova rota incluem mudanças relevantes na competitividade das exportações brasileiras, especialmente de grãos, minérios e bens industrializados. Entre os principais impactos previstos, destacam-se:
- Redução do tempo de viagem com trajetos mais curtos até portos chilenos, diminuindo o tempo total entre origem e destino internacional.
- Alívio em portos nacionais ao redistribuir parte do fluxo de exportação, reduzindo a pressão sobre terminais saturados no litoral brasileiro.
- Diversificação de rotas e mitigação de riscos associados a gargalos logísticos, greves em portos e congestionamentos em corredores tradicionais.
Quais os benefícios da megaponte na região de fronteira?
Além do comércio exterior, a ponte deve alterar a rotina de milhares de moradores da região de fronteira, estimulando integração urbana, serviços de turismo e pequenos negócios. Estimativas do DNIT apontam que mais de 180 mil pessoas serão beneficiadas direta ou indiretamente, com efeitos sobre mobilidade, emprego e renda locais.
No lado brasileiro, dados do IBGE (2024) indicam três municípios como núcleo de população diretamente impactada: Guajará-Mirim, com 43.553 habitantes; Nova Mamoré, com 28.496 habitantes; e Buritis, com 30.729 habitantes, além de comunidades rurais da BR-425 e distritos de Porto Velho, como Abunã, Nova Califórnia e Extrema, que somam cerca de 20 mil moradores. Veja as imagens desse projeto no vídeo divulgado pela DNIT Oficial:
O que ainda precisa avançar para a ponte atingir seu potencial máximo?
O cronograma prevê início das frentes de trabalho em 2026, com fases que incluem projetos básico e executivo, licenciamento, fundações, pilares, tabuleiro e implantação dos acessos viários, além do complexo de fronteira com estruturas de fiscalização e controle aduaneiro. A coordenação entre órgãos federais, estaduais e municipais será decisiva para evitar atrasos e garantir a funcionalidade plena do empreendimento.
Para que a megaponte cumpra o papel de eixo estratégico até o Pacífico, ainda serão necessários investimentos complementares na malha rodoviária boliviana, acordos bilaterais de facilitação de comércio e integração efetiva com os portos chilenos. Assim, a obra em Guajará-Mirim se consolida como ponto de partida físico de um projeto maior de conexão bioceânica, com reflexos duradouros na logística nacional e na vida da população fronteiriça.