O anúncio de que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) destinou R$ 20 milhões para as obras na Igreja de São Francisco de Assis, em Salvador, recoloca o templo histórico no centro do debate sobre preservação do patrimônio brasileiro e evidencia a combinação entre tragédia, restauração e disputa por recursos.
Como será o restauro da Igreja de São Francisco de Assis?
A destinação de R$ 20 milhões pelo Iphan marca uma etapa importante na recuperação da Igreja de São Francisco de Assis em Salvador, mas não encerra os desafios para a proteção integral do conjunto. Atualmente, o local passa por obras emergenciais, com foco em estabilização da estrutura, proteção contra infiltrações e segurança do entorno imediato.
Segundo as informações divulgadas, os recursos do Novo PAC serão usados em ações principais, que visam recuperar o patrimônio arquitetônico e garantir condições seguras de uso futuro:
- Restauro de elementos arquitetônicos e artísticos da Igreja de São Francisco de Assis;
- Intervenções estruturais no Convento de São Francisco, anexo ao templo;
- Medidas de proteção das áreas fragilizadas pelo desabamento do telhado;
- Adequações técnicas para segurança de frequentadores, trabalhadores e visitantes.
Qual é a importância histórica e cultural da chamada Igreja de Ouro?
A Igreja de São Francisco de Assis, conhecida como Igreja de Ouro pela riqueza de seus altares e entalhes, foi erguida entre os séculos XVII e XVIII e é tombada pelo Iphan. O templo é considerado uma das sete maravilhas de origem portuguesa no mundo, destacando-se pela talha dourada, pinturas sacras e azulejos portugueses que atraem pesquisadores, turistas e fiéis.
No contexto de Salvador, a igreja integra o conjunto arquitetônico do Pelourinho, área que concentra igrejas, conventos e casarões coloniais e compõe um dos principais circuitos de turismo cultural do país. A interdição após o desabamento reduziu parte desse fluxo, afetando guias de turismo, comerciantes locais e serviços que dependem da visitação contínua. Veja abaixo como a igreja impacta a região:
Igreja de Ouro – São Francisco de Assis
Principais aspectos históricos, culturais e artísticos
🏛 Símbolo do Barroco Brasileiro
🎨 Riqueza Artística
📜 Valor Histórico
🏆 Patrimônio Cultural
🙏 Importância Religiosa
🗺 Atração Turística
Como ocorreu o desabamento da igreja?
O desabamento parcial do teto da Igreja de São Francisco de Assis ocorreu em 5 de fevereiro do ano passado, por volta das 14h30, quando fiéis e visitantes estavam no interior do templo. A queda de parte da estrutura causou a morte de Giulia Righetto, turista de 26 anos, e deixou cinco pessoas feridas, levando à imediata interdição do espaço ao público.
Um ano depois, não houve responsabilizações judiciais definitivas, e as perícias seguem em andamento, trazendo à tona o debate sobre manutenção preventiva de patrimônios tombados. Em memória de Giulia, está prevista uma missa na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, vizinha ao templo, reforçando a ligação entre devoção, memória e preservação do conjunto franciscano. Veja as imagens sobre o desabamento da igreja à época (YouTube/Brasil Urgente):
Como a comunidade e a sociedade civil podem apoiar a restauração?
Mesmo com o aporte federal, a Comunidade Franciscana da Bahia avalia que os R$ 20 milhões não cobrem toda a restauração necessária do complexo, estimada em quase R$ 90 milhões. Por isso, a entidade pretende lançar uma campanha nacional de arrecadação, envolvendo fiéis, empresas e instituições comprometidas com a preservação do patrimônio.
Esse modelo de financiamento compartilhado, que combina recursos públicos e doações privadas, tende a fortalecer a participação social em projetos de conservação. A mobilização em torno da Igreja de Ouro também pode inspirar iniciativas semelhantes em outros bens tombados que enfrentam carências de manutenção e riscos estruturais relevantes.
Como o investimento vai impactar a igreja em Salvador?
A destinação de R$ 20 milhões pelo Iphan representa um passo relevante para a restauração da Igreja de São Francisco de Assis, embora o valor total estimado mostre que o processo será gradual e de longo prazo. A expectativa é que, com o avanço das intervenções, seja possível reabrir o templo de forma segura e retomar seu papel religioso, turístico e cultural em Salvador.
Para o Pelourinho, a recuperação da Igreja de Ouro pode significar a reativação de um de seus principais pontos de visitação e o fortalecimento do turismo cultural na cidade. Enquanto as obras seguem sem prazo definido para término, o caso permanece como exemplo de como patrimônio histórico, segurança e financiamento se cruzam no Brasil e orientam decisões futuras sobre bens tombados em outras regiões.