Ricardo Schnetzer, um dos nomes mais presentes na dublagem brasileira, morreu aos 72 anos, vítima de esclerose lateral amiotrófica (ELA), com a morte confirmada nesta quarta-feira (4/2) por um sobrinho do artista nas redes sociais, mobilizando fãs de cinema, TV e animação que cresceram ouvindo sua voz em grandes produções internacionais.
Quem foi Ricardo Schnetzer na dublagem brasileira?
Na dublagem, Ricardo Schnetzer construiu uma carreira associada ao dublador de Tom Cruise, mas sua trajetória foi muito mais ampla, com personagens que iam do herói de ação ao vilão intenso. Essa versatilidade ajudou a consolidar sua imagem entre profissionais do meio e espectadores, tornando seu timbre imediatamente reconhecível para o público.
Entre os trabalhos mais lembrados, estão versões brasileiras de longas estrelados por Tom Cruise, exibidos na TV aberta, por assinatura e em streaming, além de produções marcantes com Al Pacino. Schnetzer também esteve em novelas estrangeiras, como Carlos Daniel em “A Usurpadora”, e em animações como Benson, de “Apenas um Show”, o Capitão Planeta e Albafica de Peixes em “Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas”.
Como o dublador de Tom Cruise e Al Pacino impactou o público brasileiro?
No mercado audiovisual brasileiro, a dublagem é fundamental para popularizar filmes e séries estrangeiras, e o dublador de Tom Cruise e Al Pacino ocupou posição de destaque nesse cenário. Em muitos casos, o público passou a associar diretamente a voz de Schnetzer à imagem de grandes astros, criando um vínculo afetivo duradouro com suas interpretações.
Especialistas ressaltam que dublar vai além de traduzir: é preciso interpretar, adaptar expressões e ajustar ritmo de fala ao movimento labial, algo que Schnetzer dominava com naturalidade. Essa habilidade também marcou dublagens de Nicolas Cage e Richard Gere, especialmente em épocas de maior consumo de TV aberta, ajudando a formar a memória afetiva de muitas famílias brasileiras.
O que se sabe sobre a doença de Ricardo Schnetzer?
Ricardo Schnetzer foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença degenerativa que afeta neurônios motores e compromete progressivamente fala, deglutição e respiração. Sem cura conhecida, o tratamento visa aliviar sintomas, retardar a progressão e oferecer suporte multidisciplinar com fisioterapia, fonoaudiologia, neurologia e cuidados paliativos.
No início de 2026, familiares e amigos organizaram uma vaquinha online com meta de R$ 200 mil para custear medicamentos, exames e adaptações domésticas, arrecadando mais de R$ 118 mil antes de sua morte. A exposição do caso nas redes e na imprensa ajudou a jogar luz sobre a realidade de outros pacientes com ELA e sobre a necessidade de políticas públicas específicas para doenças raras e de alto custo. Veja a homenagem do sobrinho de Ricardo, Victor Vaz:
Qual é o legado de Ricardo Schnetzer na cultura pop?
O legado de Ricardo Schnetzer atravessa gerações que o conheceram pela voz do “dublador do Tom Cruise”, de Al Pacino, do Capitão Planeta ou de personagens de animes e desenhos que marcaram infância e adolescência. A dublagem brasileira, frequentemente citada como uma das mais estruturadas do mundo, tem em Schnetzer um exemplo de como a atuação por trás do microfone influencia a recepção de filmes e séries em outro idioma.
Com sua morte, novas gerações de profissionais deverão assumir personagens e astros que já tiveram sua voz, mas seu trabalho permanece registrado em reprises, plataformas digitais e coleções físicas. Isso permite que o público continue a ouvir suas interpretações e entenda por que seu nome ocupa lugar de destaque na história da dublagem brasileira e da cultura pop nacional.