O fechamento da fábrica de lã de vidro da multinacional francesa Saint-Gobain, do grupo Isover, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, marca um novo capítulo na relação entre grandes indústrias e bairros residenciais, após anos de queixas de moradores sobre poluição do ar e ruídos constantes.
Por que a fábrica da Saint-Gobain em Santo Amaro será fechada?
O encerramento da fábrica de lã de vidro em Santo Amaro resulta de um histórico de denúncias de moradores sobre ruídos intensos, inclusive de madrugada, e emissão de fumaça densa com mau cheiro. Segundo os vizinhos, esses fatores comprometeriam diretamente a qualidade de vida e o sossego da região.
Relatos da comunidade também mencionam suspeitas de impactos na saúde, como dificuldade para respirar, irritação na pele e ardência nos olhos. Em março de 2023, moradores enviaram petição à Cetesb pedindo suspensão das emissões, o que levou o Ministério Público a aprofundar a investigação e a aplicação de multas e advertências ambientais.
Como será o processo de fechamento da fábrica em São Paulo?
Segundo o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o encerramento das atividades industriais será gradual, com prazo até julho de 2026. A empresa estima cerca de seis meses, após a paralisação produtiva, para adaptar o local e transformá-lo em centro de distribuição, com dinâmica operacional distinta da atual.
A Saint-Gobain, que atua há mais de 70 anos no endereço, afirma seguir a legislação e as melhores práticas do setor e declara buscar minimizar efeitos sociais sobre mais de 100 famílias de colaboradores diretos e trabalhadores indiretos. O plano de gerenciamento de áreas contaminadas será acompanhado por órgãos ambientais, visando garantir segurança do solo e do entorno.
Qual é o papel do TAC na mediação do processo?
O TAC funciona como um instrumento de mediação que transforma denúncias difusas em obrigações objetivas, com prazos e sanções financeiras. Assim, o conflito passa a ser regulado por um documento com força jurídica, firmado entre a empresa, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Cetesb.
Esse acordo também organiza as etapas após o fechamento e orienta ações futuras na área industrial. Para esclarecer o andamento do caso, é possível resumir os principais passos institucionais que marcaram o processo até a assinatura do TAC:
- Investigação de denúncias e abertura de inquérito civil.
- Audiência pública para dar visibilidade às reclamações.
- Aplicação de multas e advertências ambientais.
- Negociação e assinatura do TAC entre empresa e órgãos de controle.
- Planejamento do encerramento das atividades e destinação futura do imóvel.
Quais são os impactos do fechamento da fábrica?
Com o anúncio do fechamento, moradores e trabalhadores vivem um período de transição entre um passado industrial ruidoso e uma perspectiva de menor impacto ambiental. Espera-se redução de ruídos e emissões, mas surgem dúvidas sobre a manutenção de empregos, circulação de caminhões e possível valorização imobiliária na área.
O caso ilustra como conflitos ambientais urbanos podem redesenhar bairros consolidados e influenciar políticas futuras para grandes indústrias em áreas densamente habitadas. A forma como o plano de gerenciamento de áreas contaminadas será cumprido e fiscalizado deve orientar debates sobre saúde pública, uso do solo e justiça ambiental em São Paulo. Veja os impactos regionais:
Impactos do Fechamento da Fábrica Saint-Gobain
Resumo dos efeitos sociais, ambientais, urbanos, legais e econômicos
Sociais / Trabalhistas
Ambientais / Saúde Pública
Urbanos / Comunitários
Legais / Institucionais
Econômicos
FAQ sobre o fechamento da fábrica em Santo Amaro
- Quando a fábrica de lã de vidro da Saint-Gobain em Santo Amaro deve parar de produzir? A produção está prevista para ser encerrada até julho de 2026, conforme estabelecido no TAC.
- O que vai funcionar no lugar da fábrica após o fechamento? O espaço deverá ser convertido em um centro de distribuição da marca, com outra dinâmica operacional.
- Quem fiscaliza o cumprimento do TAC da fábrica em Santo Amaro? O cumprimento do acordo é acompanhado pelo Ministério Público de São Paulo, pela Cetesb e pelo Conselho Superior do MPSP.
- A unidade da Saint-Gobain em Santo Amaro vai deixar de existir totalmente? Não. A unidade deixará de produzir lã de vidro, mas permanecerá ativa como centro de distribuição, com outro perfil de funcionamento.