O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (3/2) que o ex-deputado federal Daniel Silveira compareça ao próprio casamento em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em 21 de fevereiro de 2026, sob fiscalização do sistema prisional e com regras específicas de horário.
O que Alexandre de Moraes decidiu sobre o casamento de Daniel Silveira?
A autorização permite que Daniel Silveira deixe a unidade prisional para participar da cerimônia civil e religiosa, com duração máxima de quatro horas, entre 10h e 14h. O ato é pontual e não altera o regime, nem extingue a pena ou flexibiliza de forma permanente as medidas impostas.
Na decisão monocrática, o ministro determinou que a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap-RJ) fiscalize a saída, o deslocamento até o local da cerimônia em Petrópolis e o retorno ao sistema prisional. Todo o procedimento deve ocorrer estritamente dentro do intervalo autorizado, sob protocolos de segurança definidos pelo órgão.
Por que a cerimônia de casamento terá duração limitada?
A limitação de quatro horas está ligada ao contexto de cumprimento de pena e ao histórico de descumprimento de medidas cautelares por parte de Daniel Silveira. Condenado pelo STF a oito anos e nove meses de prisão, ele responde por crimes de ameaça ao Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo, com parte da pena já cumprida e dias remidos por estudo e trabalho.
Após passar por regime fechado, semiaberto e liberdade condicional, Silveira retornou à prisão em 24 de dezembro de 2024, por suposto descumprimento de recolhimento domiciliar. Esse histórico levou o STF a impor horário rígido, fiscalização intensa e finalidade exclusiva do evento, para evitar novas violações às condições judiciais.
Como está a penal atual de Daniel Silveira?
O caso de Daniel Silveira envolve uma sequência de decisões judiciais e um indulto presidencial posteriormente invalidado pelo STF. Em 2022, ele foi condenado após divulgar vídeos com ataques a ministros da Corte e defesa de regime militar, tendo a condenação e seus efeitos mantidos mesmo após o indulto.
Desde então, o ex-deputado passou por diferentes regimes, teve parte da pena abatida por remição e já quitou multa de aproximadamente R$ 271 mil. A autorização para o casamento é tratada como episódio isolado, voltado à proteção limitada da vida familiar, sem impacto automático em progressões de regime ou benefícios futuros.
Quais os impactos do caso?
O episódio expõe como o sistema de Justiça busca conciliar o direito à vida familiar com a execução penal, especialmente em casos de alta visibilidade. Em pedidos para participação em eventos familiares, tribunais analisam fatores objetivos antes de conceder saídas temporárias controladas.
No caso de Daniel Silveira, o STF adotou uma autorização restritiva, com controle direto da Seap-RJ, ilustrando critérios que costumam ser considerados em situações semelhantes:
- Natureza e gravidade do crime e da condenação.
- Histórico de respeito às medidas cautelares e ao regime de pena.
- Risco de fuga, de novos delitos ou de descumprimento de condições.
- Capacidade de fiscalização e segurança por parte do sistema penitenciário.