O contrato para a construção do Túnel Santos-Guarujá marca uma mudança relevante na ligação entre as duas principais cidades da Baixada Santista. A formalização da Parceria Público-Privada (PPP) com o grupo português Mota-Engil, anunciada pelo Governo de São Paulo na quarta-feira (28/1), atende a uma demanda de cerca de 100 anos. Orçado em aproximadamente R$ 6,8 bilhões, o empreendimento é apontado como um dos maiores projetos de infraestrutura em andamento no país, com forte impacto urbano, logístico e social.
Como será o projeto do Túnel Santos-Guarujá?
O Túnel Santos-Guarujá será o primeiro túnel imerso do Brasil, com módulos pré-fabricados afundados e conectados no leito do canal portuário. O traçado terá cerca de 870 metros sob o canal, com três faixas em cada sentido, passagem para pedestres e ciclistas e uma galeria técnica para serviços essenciais.
O contrato de PPP terá duração de 30 anos, abrangendo construção, operação e manutenção da infraestrutura. Além de reduzir a dependência das balsas e da rota rodoviária de cerca de 40 quilômetros, o túnel promete maior previsibilidade ao transporte de cargas e passageiros, com menor influência de marés, ventos e tráfego de navios.
Como será o cronograma do túnel até 2030?
Após a assinatura do contrato com a concessionária Túnel Santos-Guarujá, controlada pela Mota-Engil, o projeto entra em fase de detalhamento técnico. Entre 2026 e 2030, o governo estadual prevê um cronograma escalonado, com etapas sucessivas para reduzir riscos e organizar os investimentos.
As fases principais incluem desenvolvimento de projetos, obras civis e testes finais antes da abertura ao tráfego. A Artesp fará a fiscalização do contrato, e a previsão é de geração de cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos na Baixada Santista. A seguir, estão os marcos divulgados:
- 2026: Projetos funcional e executivo: detalhamento técnico, estudos complementares, negociações de desapropriação e avanço dos licenciamentos ambientais.
- 2027: Início das obras: construção da doca seca para fabricação dos módulos, dragagens preliminares e implantação de canteiros nas duas margens.
- 2028: Fabricação dos elementos: pré-moldagem das seis partes do túnel, dragagem da trincheira no canal e início das rampas de acesso.
- 2029: Imersão e montagem: submersão, instalação e selagem dos elementos no leito, com avanço das obras de acesso urbano.
- 2030: Finalização: acabamentos, instalação de ventilação, iluminação, segurança e testes operacionais antes da abertura.
Qual é o papel da PPP e do licenciamento ambiental?
A PPP do Túnel Santos-Guarujá combina recursos públicos e privados na implantação e operação da travessia, com transferência de parte relevante dos riscos ao concessionário. A Mota-Engil venceu o leilão na B3 em setembro de 2025, oferecendo desconto de 0,5% sobre a contraprestação pública máxima anual estimada em R$ 438,3 milhões.
Um ponto decisivo foi a emissão da licença ambiental prévia pela Cetesb, que atesta a viabilidade do projeto sob condições específicas. As exigências abrangem proteção de manguezais, fauna, flora, níveis de ruído e processos de desapropriação, que deverão ser detalhados no licenciamento de instalação, acompanhado de perto pelos órgãos ambientais. Veja os detalhes do projeto no vídeo divulgado pelo Governo de SP:
Quais os benefícios para Santos e Guarujá com o túnel?
A principal mudança esperada é a redução da travessia para cerca de cinco minutos, em fluxo contínuo para veículos, pedestres e ciclistas. Isso beneficia trabalhadores portuários, estudantes, profissionais de serviços e o transporte de cargas, hoje sujeitos a filas de balsa e a um longo desvio rodoviário.
O túnel tende a reconfigurar a dinâmica urbana da Baixada Santista, estimulando novas rotas de ônibus, integração com ciclovias e ajustes em linhas municipais e intermunicipais. Especialistas destacam que o desempenho final dependerá da qualidade dos acessos, dos sistemas de segurança e da coordenação com o Porto de Santos, um dos principais corredores logísticos do país. Veja os benefícios regionais:
Melhora a fluidez viária no centro de Santos, evitando congestionamentos.
Facilita o transporte de pessoas e mercadorias entre Santos e Guarujá.
Evita pontos críticos de congestionamento, aumentando a segurança viária.
Oferece acesso rápido às praias e atrativos, impulsionando a economia local.
Desvia veículos pesados das áreas residenciais, reduzindo poluição e ruído.
Áreas próximas às entradas do túnel podem ter aumento de valorização.