Uma das barreiras geográficas mais antigas do Pantanal caminha para o fim com a construção de uma megaponte sobre o Rio São Lourenço. A nova ponte de concreto, orçada em aproximadamente R$ 60 milhões, será a primeira ligação física pavimentada entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul na região pantaneira, permitindo uma conexão direta entre a Transpantaneira e a rodovia MS-214. Esse eixo viário começa a ser chamado de “Rota da Onça”, em referência ao potencial turístico ligado à observação da onça-pintada, e tende a redesenhar fluxos logísticos, turísticos e comunitários no coração do bioma.
Como será o Pantanal com a nova megaponte e a Rota da Onça?
A região pantaneira sempre conviveu com cheias intensas e carência de infraestrutura fixa, o que limitava o deslocamento entre os dois estados e isolava comunidades como Porto Jofre. Sem uma ponte sobre o Rio São Lourenço, a travessia dependia de barcos ou de longos desvios por rotas alternativas, encarecendo o transporte e restringindo o fluxo de turistas.
Ao conectar a extremidade da Transpantaneira, em Mato Grosso, à MS-214, em Mato Grosso do Sul, a obra cria um corredor direto entre Cuiabá e Campo Grande, passando pelo coração do Pantanal. Essa integração facilita a circulação de serviços, insumos e profissionais, oferecendo mais previsibilidade em períodos de chuva e estimulando um novo eixo de turismo de natureza e escoamento de pequenas produções locais.
Quais os detalhes da megaponte de R$ 60 milhões no Pantanal?
A megaponte sobre o Rio São Lourenço foi concebida como obra de engenharia adaptada às particularidades do Pantanal, com cerca de 300 metros de extensão em concreto para suportar cheias sazonais, calor intenso e variações de nível da água. O investimento total, estimado em R$ 60 milhões, será dividido igualmente entre os governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que compartilham execução e manutenção.
Segundo o projeto da Agesul, a ponte foi dimensionada para trânsito de veículos de turismo, utilitários e caminhões leves, garantindo segurança ao longo do ano. Na prática, ela será a peça central de um corredor viário pantaneiro: de um lado, a Transpantaneira, icônica para safáris fotográficos; de outro, a MS-214, que se conecta a outras rodovias estaduais e federais, ampliando a malha de deslocamentos regionais.
Como a Rota da Onça impacta o turismo de onça-pintada na região?
A chamada Rota da Onça nasce diretamente associada ao turismo de observação de fauna, especialmente da onça-pintada, já consolidado em Porto Jofre como um dos melhores pontos do mundo para avistamento da espécie em ambiente natural. Com a nova ponte, o destino passa a integrar um circuito mais amplo, acessível a partir de Cuiabá e Campo Grande, favorecendo roteiros circulares sem repetição de trajetos.
Esse modelo tende a aumentar o tempo de permanência na região e distribuir melhor a demanda entre empreendimentos locais, estimulando também o turismo científico e de observação de aves. Para visitantes e operadores, a nova rota pode representar uma diversificação de experiências, com maior integração entre pousadas, barcos de passeio e iniciativas comunitárias de turismo de base local. Veja os possíveis impactos na região:
- Acesso mais fácil a áreas de observação da onça-pintada
- Atração de turistas interessados em ecoturismo e safáris fotográficos
- Roteiros turísticos integrados entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
- Estímulo à visitação em reservas naturais
- Maior demanda por hospedagem e serviços turísticos
- Oportunidade para guias e serviços especializados em fauna silvestre
- Maior visibilidade sobre a conservação da onça-pintada
- Incentivo à educação ambiental e ecoturismo responsável
- Risco de impacto ambiental se não houver planejamento adequado
- Necessidade de manejo sustentável do turismo para proteção da fauna
Quais são os efeitos de integração regional e logística?
Além do turismo, a megaponte deve alterar a rotina de comunidades pantaneiras, que passam a ter acesso mais fácil a saúde, educação e abastecimento, reduzindo a dependência de janelas de estiagem. No campo logístico, a ligação cria alternativas para o transporte regional, sobretudo de produtos ligados ao turismo, à pecuária extensiva e a pequenas atividades agroextrativistas, ao mesmo tempo em que aumenta a necessidade de planejamento ambiental.
Especialistas ressaltam que qualquer obra desse porte no Pantanal exige monitoramento constante e medidas de mitigação, para compatibilizar desenvolvimento e preservação. Entre os cuidados recomendados para a gestão da Rota da Onça, destacam-se:
- Definição de limites de velocidade e sinalização em trechos de maior circulação de fauna.
- Mapeamento e proteção de áreas de reprodução e corredores naturais de animais.
- Monitoramento de impactos sobre a qualidade da água, ruído e iluminação artificial.
- Participação de comunidades locais e pesquisadores na gestão e fiscalização da rota.