A partir desta segunda-feira (2/2), entra em vigor uma mudança importante na segurança do Pix em todo o sistema financeiro brasileiro. O novo Mecanismo Especial de Devolução 2.0, conhecido como MED 2.0, passa a ser obrigatório para todos os bancos e demais participantes do arranjo, com foco no rastreamento de transações suspeitas, no aumento das chances de recuperação de valores desviados em fraudes e golpes digitais e no fortalecimento da cooperação entre instituições financeiras.
O que muda com o rastreamento do Pix pelo MED 2.0?
A principal novidade é a possibilidade de seguir o caminho do dinheiro por diversas contas até chegar ao destino final, permitindo bloquear recursos mesmo depois de sucessivas transferências. Esse rastreamento reduz a atuação de quadrilhas especializadas em esvaziar rapidamente a primeira conta que recebe o Pix fraudulento, aumentando a chance de bloqueio em cadeia.
O monitoramento mais abrangente é realizado pelas instituições financeiras envolvidas na operação, que podem compartilhar informações entre si dentro das regras de sigilo bancário e normas do Banco Central. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que todas as instituições participantes do sistema de pagamentos instantâneos devem seguir, de forma padronizada, as novas regras de contestação e devolução. As informações são do portal R7.
Como funciona o Pix rastreado e o botão de contestação?
O funcionamento do Pix rastreado está diretamente ligado ao uso do botão de contestação disponível nos aplicativos das instituições financeiras, que passa a ser o principal canal para abertura do MED. Quando a pessoa identifica uma transação suspeita, como golpe, fraude, coerção ou cobrança indevida no Pix Automático, pode abrir um MED pela área Pix do aplicativo ou diretamente pelo extrato da conta.
O processo segue uma sequência padronizada, automatizada e com prazos definidos para análise pelos bancos envolvidos:
- O cliente aciona o botão de contestação no app, sem necessidade inicial de atendimento humano.
- A instituição do pagador comunica o alerta ao banco que recebeu o Pix ligado ao suposto golpista.
- O banco do recebedor analisa a notificação e pode bloquear os valores na conta indicada.
- Com o MED 2.0, o rastreamento segue por outras contas que receberam repasses do valor contestado.
- Ambos os bancos têm até 7 dias para avaliar o caso e decidir sobre a devolução.
Quais cuidados aumentam a chance de devolução pelo MED 2.0?
O novo Mecanismo Especial de Devolução 2.0 amplia a capacidade técnica do sistema bancário de rastrear operações, mas a rapidez da reação do cliente continua decisiva para o sucesso. Quanto mais cedo o banco for acionado, maiores são as chances de encontrar saldo nas contas utilizadas pelo fraudador, antes que os recursos sejam pulverizados ou sacados.
Alguns cuidados ganham relevância com o MED 2.0 em funcionamento, pois ajudam a documentar o caso e a acelerar a análise das instituições financeiras e das autoridades competentes:
- Acionar o app imediatamente após perceber movimentações suspeitas, sem esperar o fim do dia ou o próximo extrato.
- Utilizar sempre o botão de contestação dentro da área Pix ou no extrato, para garantir que o caso seja enquadrado no MED.
- Separar provas que possam apoiar a análise, como conversas, prints de anúncios, e-mails e outros registros.
- Registrar boletim de ocorrência sempre que houver fraude, golpe ou coerção, anexando o documento ao processo.
Qual é o impacto do rastreamento do Pix em fraudes e devoluções?
O histórico de devoluções mostra a relevância do mecanismo para mitigar perdas e desestimular golpes baseados em transferências em cadeia. Desde 2021, o Pix acumula mais de R$ 1,5 bilhão em valores devolvidos por meio do MED, considerando golpes, fraudes, erros e casos de coerção, com trajetória de crescimento ano a ano.
Com o Pix rastreado em todos os bancos pelo MED 2.0, a expectativa é de maior eficiência na recuperação de quantias desviadas e de resposta mais rápida a transações suspeitas. O reforço na cooperação entre instituições financeiras, aliado à automatização do atendimento por meio do botão de contestação, tende a fortalecer a proteção do correntista dentro das regras de segurança definidas pelo Banco Central.