A travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica, hoje marcada por filas de ferry-boat e longos períodos de espera, está prestes a ser redesenhada por um projeto de grande porte: a construção da Ponte Salvador-Itaparica, com 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar, promete encurtar distâncias, reorganizar fluxos e reposicionar a Bahia no mapa da infraestrutura nacional, combinando engenharia complexa, cooperação internacional e impacto direto na rotina de quem circula pelo Recôncavo Baiano.
Como surgiu a parceria entre Brasil e China para construir a ponte Salvador-Itaparica?
A Ponte Salvador-Itaparica é resultado de uma articulação diplomática que aproximou ainda mais Brasil e China em projetos de infraestrutura e inovação. O tema ganhou destaque durante o III Fórum Bahia-China, realizado em Salvador em novembro de 2025, que discutiu investimentos em obras estruturantes, tecnologia e desenvolvimento sustentável.
A execução ficará sob responsabilidade de um consórcio formado pela China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e pela China Communications Construction Company (CCCC), vencedoras de leilão internacional. Para o governo da Bahia, o acordo simboliza cooperação estratégica, atração de capital estrangeiro e criação de um vetor de crescimento regional com geração de empregos e redução de desigualdades na mobilidade.
Por que a ponte Salvador-Itaparica se destaca entre as obras?
A estrutura terá 12,4 km de extensão sobre o mar, tornando-se a maior ponte da América Latina construída sobre lâmina d’água e referência no país pela dimensão e pela complexidade.
O projeto está dividido em três segmentos: quase 7 km de acessos em Salvador, 4,6 km de acessos em terra na Ilha de Itaparica e um trecho central estaiado de cerca de 900 metros, com altura aproximada de 85 metros. Essa configuração exige fundações profundas em ambiente marítimo, sistemas de monitoramento estrutural permanente e planejamento para reduzir interferências no tráfego marítimo, na atividade portuária e no ecossistema costeiro. Veja os detalhes do projeto no vídeo divulgado pelo canal Chart Maps, via TikTok:
@chartmaps O Brasil está prestes a iniciar a obra da maior ponte da América Latina em Salvador #salvador #ponte #obra ♬ som original – Chart Maps
Como a ponte Salvador-Itaparica vai mudar a mobilidade na Bahia?
Hoje, o deslocamento entre Salvador e a região de Itaparica depende de travessias de ferry-boat ou de longos trajetos rodoviários que contornam a Baía de Todos-os-Santos. Com a nova ponte, a distância rodoviária poderá ser reduzida em cerca de 250 quilômetros, com queda estimada de mais de 40% no tempo de viagem e maior previsibilidade no deslocamento de pessoas e cargas.
A obra deve reorganizar a circulação em todo o Recôncavo, impulsionando o turismo nas praias da ilha e nas cidades históricas e agilizando o escoamento de produtos agrícolas e industriais. Em paralelo, abre espaço para novos polos de moradia e serviços, o que exige planejamento urbano para lidar com adensamento populacional, demanda por equipamentos públicos e preservação de comunidades tradicionais. Veja os impactos na mobilidade da Bahia:
Facilita deslocamentos diários entre Salvador e a Ilha de Itaparica, economizando tempo.
Melhora o fluxo de veículos e passageiros, tornando o transporte mais eficiente.
Conecta Salvador e o Recôncavo Baiano, fortalecendo turismo e comércio local.
Estimula melhorias ao longo do trajeto, impulsionando comércio e serviços.
Beneficia empresas e produtores locais com transporte mais rápido e seguro.
Por que a ponte Salvador-Itaparica pode se tornar uma referência internacional?
Com 12,4 km sobre o mar, a ponte Salvador-Itaparica tem potencial para integrar o grupo das grandes obras de engenharia do mundo. O porte, a complexidade técnica e a integração urbana chamam a atenção de especialistas, especialmente por combinar tecnologia chinesa, financiamento internacional e planejamento local em um único empreendimento.
Se o cronograma for cumprido e as metas de desempenho forem atingidas, a ponte poderá servir de modelo para outras travessias marítimas de grande escala na América Latina. A experiência em gestão de impactos ambientais, proteção de áreas costeiras e convivência com rotas portuárias tende a gerar conhecimento útil para projetos futuros, reforçando o caráter de laboratório de integração entre engenharia, planejamento urbano e relações internacionais.
FAQ sobre a ponte Salvador-Itaparica
- Qual será o tipo de estrutura principal da ponte? A ponte terá um trecho central estaiado, sustentado por cabos de aço ancorados em torres, solução comum em grandes vãos sobre o mar.
- Haverá cobrança de pedágio para atravessar a ponte? O projeto prevê modelo de concessão com cobrança de pedágio, cujos valores e regras ainda dependem de definições contratuais e regulatórias.
- Como a obra pretende reduzir impactos ambientais? O empreendimento passa por licenciamento ambiental, que inclui medidas de proteção de fauna marinha, monitoramento da qualidade da água e compensações ambientais.
- A ponte terá ciclovia ou passagem para pedestres? As especificações de faixas para pedestres e ciclistas dependem do detalhamento final do projeto executivo e de decisões do poder público estadual.