O setor público brasileiro encerrou 2025 com um déficit primário de R$ 55 bilhões, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30/1) pelo Banco Central no relatório “Estatísticas Fiscais”. O resultado, que corresponde a cerca de 0,43% do PIB, reacende o debate sobre a trajetória das contas públicas, a responsabilidade fiscal e a capacidade de cumprimento das metas estabelecidas pelo governo, em um contexto de endividamento elevado e cenário fiscal desafiador.
Como foi o déficit do setor público em 2025?
No acumulado do ano, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55 bilhões, evidenciando que as receitas não foram suficientes para cobrir as despesas básicas.
O comportamento das contas públicas na última década recente revela forte oscilação entre superávits e déficits. Segundo o Banco Central, a série histórica do resultado primário anual foi a seguinte:
- 2020: déficit de R$ 702,95 bilhões;
- 2021: superávit de R$ 64,727 bilhões;
- 2022: superávit de R$ 126 bilhões;
- 2023: déficit de R$ 249,123 bilhões;
- 2024: déficit de R$ 47,552 bilhões;
- 2025: déficit de R$ 55 bilhões.
Quais foram os principais responsáveis pelo déficit de 2025?
O desempenho fiscal de 2025 não foi uniforme entre os diferentes níveis de governo e empresas públicas. O governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e INSS) foi o principal responsável pelo resultado negativo, com déficit de R$ 58,7 bilhões no ano, refletindo tanto rigidez de gastos quanto receitas aquém do planejado.
As empresas estatais também terminaram o período no vermelho, com déficit de R$ 5,9 bilhões, enquanto os governos regionais (Estados e municípios) registraram superávit de R$ 9,5 bilhões, ajudando a atenuar parcialmente o saldo negativo consolidado. Em dezembro de 2025, porém, houve superávit de R$ 6,3 bilhões no setor público, com governo central e estatais no azul e Estados e municípios no vermelho.
Como evoluíram o resultado nominal e a dívida pública em 2025?
Além do déficit primário, o Banco Central acompanha o resultado nominal do setor público, que soma o saldo primário aos juros nominais da dívida. Em 2025, o resultado nominal foi deficitário em R$ 1,1 trilhão, cerca de 8,34% do PIB, acima do valor de aproximadamente R$ 998 bilhões observado em 2024.
A Dívida Bruta do Governo Geral alcançou cerca de R$ 10 trilhões, o que corresponde a aproximadamente 78,7% do PIB. Esse indicador é acompanhado de perto por analistas, pois uma relação dívida/PIB mais alta tende a aumentar a sensibilidade do país a mudanças nos juros, na percepção de risco e nas condições de financiamento.
Quais impactos do déficit de R$ 55 bilhões em 2025?
Embora o déficit de R$ 55 bilhões em 2025 pareça distante da rotina das pessoas, o comportamento das contas públicas influencia juros, crédito, investimentos e o ambiente de negócios. A necessidade de financiamento do setor público pesa sobre a confiança de investidores e pode afetar o ritmo de crescimento econômico.
Na prática, alguns canais costumam ser observados quando se discute o impacto de déficits fiscais recorrentes sobre o dia a dia da população e a estabilidade macroeconômica:
- Custo da dívida: quanto maior o déficit e a dívida, maior tende a ser o gasto com juros;
- Espaço para investimentos: desequilíbrios fiscais podem limitar recursos para infraestrutura, saúde e educação;
- Estabilidade econômica: resultados no vermelho podem pressionar expectativas de inflação e crescimento.