A morte de Brenda Cristina Rodrigues, de 17 anos, após ter um quadro de pneumonia bacteriana confundido com ansiedade em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de União da Vitória, no Paraná, em janeiro de 2026, abriu uma discussão sobre possíveis falhas em atendimentos de emergência, tempo de resposta, protocolos médicos e critérios de diagnóstico em pacientes jovens com queixas respiratórias.
Como iniciou o quadro de saúde da jovem?
Segundo a família, a adolescente procurou ajuda médica três vezes na mesma UPA relatando falta de ar e dor no peito, mas saiu das consultas com indicação de crise de ansiedade. Somente após ser levada a um hospital particular, no quarto dia de sintomas, foi diagnosticada com pneumonia bacteriana e já apresentava quadro grave.
A jovem foi internada, transferida para a UTI e morreu um dia depois, às vésperas de completar 18 anos. A diferença entre os atendimentos na rede pública e no hospital particular, assim como a ausência de exames básicos nos primeiros dias, passou a ser questionada por familiares e especialistas em medicina de emergência.
O que a polícia investiga no caso de possível erro médico?
Com a morte da jovem, a Polícia Civil do Paraná instaurou inquérito para verificar se houve erro médico na condução dos atendimentos na UPA. A investigação considera possíveis enquadramentos como negligência, omissão de socorro ou homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas existe falha na conduta profissional.
Os investigadores analisam prontuários, horários de chegada e saída, medicamentos prescritos, anotações de evolução clínica e protocolos internos adotados pela unidade. Entre os pontos avaliados está se os sintomas iniciais de Brenda justificariam, desde o primeiro atendimento, exames como raio-X de tórax, exames laboratoriais e monitoramento cardiológico.
Como a pneumonia pode ser confundida com ansiedade?
Casos em que pneumonia é confundida com ansiedade envolvem sintomas que podem se sobrepor, como falta de ar, aperto no peito e taquicardia. Em jovens sem histórico de doenças crônicas, a hipótese de crise de ansiedade às vezes é priorizada, principalmente quando não há febre alta ou sinais típicos de infecção na primeira avaliação.
Na prática clínica, porém, especialistas ressaltam que dispneia e dor torácica exigem investigação sistemática, mesmo com suspeita de causa emocional. Exames simples, como ausculta pulmonar cuidadosa, medição de saturação de oxigênio e, quando indicado, radiografia de tórax, ajudam a diferenciar quadros respiratórios de alterações relacionadas à ansiedade:
- Sinais comuns de pneumonia: tosse, febre, cansaço intenso, dor no peito ao respirar, falta de ar.
- Sinais comuns de crise de ansiedade: sensação de sufocamento, palpitações, tremores, medo intenso, formigamentos.
- Em urgências, recomenda-se excluir causas físicas graves antes de atribuir o quadro apenas à ansiedade.
Quais são as principais linhas de apuração administrativa e jurídica?
Paralelamente ao inquérito policial, a Prefeitura de União da Vitória informou que vai instaurar processo administrativo para apurar a conduta da equipe da UPA. A unidade é administrada pelo Instituto Humaniza, que afastou as médicas envolvidas e declarou colaborar com as autoridades, inclusive fornecendo documentos e registros internos.
No âmbito administrativo e pericial, costumam ser avaliados o cumprimento de carga horária, as condições de trabalho, a existência de protocolos escritos e o fluxo de encaminhamento para exames. Também se analisa se um diagnóstico mais rápido poderia ter reduzido o risco de internação em UTI ou modificado o desfecho clínico de Brenda:
- Análise detalhada dos prontuários e demais documentos oficiais de atendimento.
- Oitiva de médicos, enfermeiros, gestores, familiares e eventuais testemunhas.
- Perícias médicas para avaliar se as condutas foram compatíveis com os sintomas e a evolução da doença.
- Definição de possíveis responsabilizações penais, civis e administrativas.