O projeto para agricultores brasileiros produzirem em Angola ganhou um passo concreto com a apresentação de uma proposta oficial de acordo bilateral entre os dois países. O plano, estimado em cerca de US$ 120 milhões (cerca de R$ 621,6 milhões), prevê investimentos na produção agrícola em território angolano, transferência de tecnologia do campo e cooperação técnica, mirando tanto o aumento da produção de alimentos em Angola quanto a expansão das exportações de máquinas e insumos agrícolas fabricados no Brasil.
Como funciona o megaprojeto para brasileiros plantarem em Angola?
O governo angolano deve conceder aproximadamente 20 mil hectares em províncias como Cuanza Norte, Uíge e Malanje, com foco em lavouras de grãos e proteína animal em modelo de produção a ser ajustado pelos dois países.
O arranjo financeiro envolve aportes dos dois governos, bancos públicos e fundos soberanos, além de instituições multilaterais interessadas. Em maio de 2025, um grupo de produtores visitou Angola para avaliar solo, clima e infraestrutura, etapa considerada essencial para dimensionar o potencial produtivo e definir as adaptações necessárias em tecnologia, logística e gestão de riscos.
Como será o financiamento do projeto agrícola Brasil-Angola?
O desenho financeiro está estruturado principalmente na exportação de máquinas, equipamentos e insumos agrícolas do Brasil para Angola. Não há previsão de financiamento brasileiro para o custeio direto das lavouras, mas sim para a aquisição de tratores, colheitadeiras, sistemas de irrigação e outros bens de capital, com suporte do Programa de Financiamento às Exportações (Proex), operado pelo Banco do Brasil.
O Fundo Soberano de Angola deve aportar cerca de 17% do montante total, enquanto bancos angolanos responderão pelo custeio das lavouras, com participação próxima de 5% e cobertura de garantias. Os agricultores precisarão investir recursos próprios, estimados em 10% do total, e o BNDES entra como financiador das exportações brasileiras, em estrutura que busca reduzir riscos para investidores privados e para o governo angolano, que cede as terras e demanda segurança jurídica. Veja os detalhes do projeto:
- Linha de crédito bilateral Brasil–Angola, com recursos estimados em cerca de US$ 120 milhões
- Participação de bancos de fomento e instituições financeiras públicas dos dois países
- Contrapartida do governo angolano, incluindo cessão de cerca de 20 mil hectares e apoio logístico
- Desembolsos em etapas, conforme metas de implantação, produção e infraestrutura
- Possível envolvimento de empresas privadas, por meio de parcerias produtivas e operacionais
- Garantias institucionais e acordos governamentais, para reduzir riscos e assegurar a execução do projeto
Quais são as metas agrícolas e tecnológicas do acordo Brasil-Angola?
O projeto pretende ampliar a produção de milho, soja, algodão, carne bovina e suína em Angola, com foco em segurança alimentar e formação de um novo polo exportador de alimentos na África. Estão previstos investimentos em infraestrutura suporte, como armazéns, estradas vicinais, estruturas de armazenagem e secagem de grãos e sistemas de irrigação, essenciais para a regularidade da produção.
Outro eixo central é a transferência de tecnologia, com uso de práticas já testadas no Cerrado, como correção de solo, plantio direto, manejo integrado de pragas e sementes adaptadas a regiões tropicais. O acordo prevê ainda capacitação de técnicos e trabalhadores locais para operar máquinas, gerenciar fazendas e acompanhar o desenvolvimento das lavouras, fortalecendo a autonomia produtiva angolana no médio prazo. Veja o anúncio da parceria divulgada nas redes sociais do Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro:
Quais benefícios o projeto agrícola pode gerar para Brasil e Angola?
Para Angola, espera-se aumento da produção de alimentos, menor dependência de importações e fortalecimento da segurança alimentar. O crescimento da oferta de grãos, carnes e fibras pode estimular cadeias industriais locais, como fábricas de ração, frigoríficos e indústrias têxteis, além de diversificar a economia e gerar empregos em regiões rurais.
Para o Brasil, o acordo amplia oportunidades de venda de máquinas, sementes e insumos, fortalece a imagem do país como provedor de tecnologia agropecuária e aprofunda laços diplomáticos e econômicos com Luanda. A iniciativa, alinhada ao memorando de entendimento entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço, pode servir de vitrine para parcerias semelhantes com outros países africanos interessados em cooperação agrícola. Veja os impactos do projeto:
Fortalecimento da cooperação bilateral
Amplia a parceria estratégica entre Brasil e Angola, consolidando relações no setor agrícola.
Transferência de tecnologia e conhecimento
Aplicação de técnicas brasileiras de produção, manejo, mecanização e eficiência no campo angolano.
Aumento da produção de alimentos
Expansão de cerca de 20 mil hectares cultiváveis, fortalecendo a segurança alimentar regional.
Geração de empregos locais
Criação de postos de trabalho diretos e indiretos no meio rural e na cadeia produtiva.
Estímulo à economia angolana
Atração de investimentos, aumento da renda agrícola e dinamização do setor primário.
Oportunidades para empresas do Brasil
Abertura de mercado para exportação de insumos, máquinas e serviços agrícolas.
Diversificação produtiva
Redução da dependência de importações e fortalecimento da produção agrícola regional.
FAQ sobre o projeto Brasil-Angola
- Os agricultores brasileiros terão propriedade da terra em Angola? Não. As informações disponíveis indicam modelo de concessão de áreas pelo governo angolano, e não de propriedade definitiva.
- O projeto prevê contratação de trabalhadores angolanos? A proposta menciona capacitação e transferência de tecnologia, o que inclui formação de mão de obra local, mas os detalhes de contratação ficam a cargo de cada empreendimento.
- Há limite de tempo para a concessão dos 20 mil hectares? O prazo específico da concessão não foi divulgado publicamente até o momento e deve constar nos contratos individuais e no acordo bilateral.
- Outros países podem adotar modelo semelhante com o Brasil? O formato ainda está em fase inicial, mas, se for bem-sucedido, poderá servir de referência para negociações com outros países interessados em cooperação agrícola.