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Início Saúde

Entenda o que é a cereulide e por que ela preocupa em fórmulas infantis contaminadas

Por Junior Melo
29/jan/2026
Em Saúde
Entenda o que é a cereulide e por que ela preocupa em fórmulas infantis contaminadas

Fórmula infantil - Créditos: depositphotos.com / vchalup2

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A descoberta de fórmulas infantis possivelmente contaminadas com cereulide acendeu um sinal de alerta entre famílias e profissionais de saúde no início de 2026, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibir a venda, distribuição e uso de determinados lotes de produtos da Nestlé em razão do risco associado a essa toxina, o que levou o tema ao centro do debate sobre segurança alimentar em recém-nascidos e crianças pequenas.

O que é cereulide e como essa toxina se comporta nos alimentos?

A cereulide é uma toxina emética, ligada a náuseas e vômitos intensos, produzida por determinadas cepas da bactéria Bacillus cereus, microrganismo amplamente distribuído em solo, água, poeira, matérias-primas agrícolas e superfícies de processamento. Essa presença difusa favorece a contaminação de diferentes alimentos, inclusive fórmulas em pó, produtos lácteos e preparações industrializadas.

Quimicamente, trata-se de um peptídeo cíclico extremamente estável, capaz de resistir a aquecimento intenso, variações de pH e processos como fritura, torrefação e uso de forno micro-ondas. A cereulide também suporta o ambiente ácido do estômago, chegando ativa ao intestino, de modo que, mesmo que a B. cereus seja destruída, a toxina formada pode permanecer presente e funcional.

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Por que a cereulide oferece mais risco para bebês e crianças pequenas?

O risco da cereulide em fórmulas infantis é maior em bebês porque o sistema imunológico está em desenvolvimento e o fígado ainda não metaboliza toxinas com a mesma eficiência de um adulto. O baixo peso corporal faz com que pequenas quantidades de toxina representem uma carga proporcionalmente mais alta, reduzindo a margem entre exposição e manifestação de sintomas.

Relatos clínicos descrevem início rápido dos sinais, entre uma e seis horas após o consumo do alimento contaminado, o que exige atenção dos responsáveis. Em populações vulneráveis, a cereulide pode desencadear quadros mais severos, com alterações metabólicas e lesões em órgãos como fígado, pâncreas e intestino, além de possíveis impactos em sistema nervoso e imunológico.

Quais sintomas indicam possível exposição à cereulide?

Após a ingestão de produtos contaminados, os primeiros sintomas costumam ser gastrointestinais, e sua evolução pode variar conforme a quantidade ingerida e a vulnerabilidade da pessoa exposta. Em bebês, a repetição e intensidade dos sinais, somadas à rápida desidratação, tornam a situação ainda mais delicada:

  • Náuseas intensas;
  • Vômitos repetidos e de início súbito;
  • Mal-estar generalizado e prostração;
  • Em alguns casos, dor abdominal e sinais de desidratação.

Como reduzir o risco de contaminação em fórmulas infantis no dia a dia?

A cereulide é uma toxina termoestável, não sendo destruída por fervura simples ou cozimento comum, o que reforça a importância da prevenção. Boas práticas de preparo, armazenamento e higiene ajudam a reduzir a proliferação de Bacillus cereus e a formação da toxina, além de minimizar outros tipos de contaminação alimentar:

  • Respeitar orientações de segurança sanitária
    • Verificar comunicados oficiais da Anvisa sobre lotes suspeitos ou proibidos;
    • Descartar imediatamente produtos incluídos em alertas ou com suspeita de irregularidade;
    • Observar prazo de validade e condições de armazenamento indicadas no rótulo.
  • Cuidar do preparo da fórmula
    • Preparar a fórmula com água quente, preferencialmente acima de 70 ºC, conforme orientação de saúde pública;
    • Seguir rigorosamente as quantidades de pó e água indicadas pelo fabricante;
    • Evitar reutilizar sobras da mamadeira por longos períodos.
  • Controlar tempo e temperatura
    • Se a fórmula precisar ser armazenada já preparada, mantê-la sob refrigeração, abaixo de 4 ºC;
    • Não deixar mamadeiras prontas em temperatura ambiente por tempo prolongado;
    • Descartar preparações que fiquem fora da geladeira além do período indicado por profissionais de saúde.
  • Reforçar higiene e inspeção visual
    • Lavar bem as mãos antes e depois do preparo dos alimentos infantis;
    • Higienizar superfícies, utensílios e mamadeiras para evitar contaminação cruzada;
    • Observar mudanças de odor, sabor ou aparência e descartar qualquer produto com alteração.
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