O Governo de Minas Gerais prepara uma das maiores concessões rodoviárias recentes do estado, com impactos diretos na logística do agronegócio e na integração entre regiões produtoras. O Lote Rodoviário Noroeste, que inclui trechos de duas BRs e de rodovias estaduais, prevê cerca de R$ 7,5 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos e a geração estimada de dezenas de milhares de postos de trabalho diretos e indiretos durante as obras e a operação.
Como será o Lote Rodoviário Noroeste?
O Lote Rodoviário Noroeste reúne trechos da BR-365, CMG-496, MG-408 e MG-181, conectando o Norte de Minas, o Triângulo Mineiro e a região Central em um corredor logístico estratégico. Esse sistema rodoviário aproxima áreas produtoras de polos de consumo e de outros eixos nacionais, tornando a concessão do Lote Noroeste o eixo de reorganização da circulação de mercadorias na região.
Ao cruzar municípios como Patrocínio, Patos de Minas, João Pinheiro, Montes Claros, Pirapora e Várzea da Palma, o lote cobre áreas com forte presença do agronegócio e cadeias produtivas dependentes de estradas em boas condições. A transformação desses trechos em um sistema concessionado busca dar previsibilidade a investimentos, assegurar manutenção contínua e reduzir gargalos que encarecem o frete e ampliam o tempo de viagem.
Como serão aplicados os R$ 7,5 bilhões nas rodovias de MG?
O plano de investimentos do Lote Noroeste concentra-se em ampliar capacidade, recuperar a estrutura do pavimento e implantar infraestrutura complementar de segurança e fluidez. As intervenções têm foco em trechos críticos para o escoamento de grãos, insumos agrícolas, produtos industrializados e cargas diversas, conectando o interior a mercados nacionais e portos.
Entre as principais obras previstas, destacam-se ações voltadas à duplicação, pavimentação, melhorias de acessos e reforço de pontos sensíveis da malha rodoviária:
- Duplicação de aproximadamente 80 km de rodovias em segmentos com maior fluxo;
- Implantação de acostamentos em cerca de 75 km, aumentando a segurança em ultrapassagens e emergências;
- Criação de 19 km de vias marginais em áreas urbanizadas ou com muitos acessos;
- Pavimentação de 110 km hoje em terra ou com baixa qualidade de revestimento;
- Instalação de 35 passarelas e melhorias em 277 acessos;
- Intervenções em 26 pontes e viadutos e 102 dispositivos em interseções, como retornos e rotatórias.
Um ponto sensível do pacote é o reforço estrutural da ponte sobre o Rio das Velhas, na BR-365, km 148, hoje interditada para veículos de carga. Prevista para o primeiro ano da concessão, essa obra é essencial para restabelecer a fluidez total do corredor, reduzir acidentes graves e ampliar a capacidade de escoamento do agro e de outros setores produtivos.
Como funciona o modelo de concessão e a integração com o governo federal?
O Lote Noroeste integra um programa mais amplo de concessões de rodovias mineiras, que já soma mais de 2,5 mil quilômetros concedidos e sete contratos em vigor. O diferencial deste projeto está na forte integração com o governo federal e na sinergia com concessões como a Rota das Gerais (BR-251 e BR-116), cujo edital federal foi publicado em dezembro de 2025.
Antes da assinatura do contrato, prevista após o leilão marcado para março de 2026, será necessária a formalização da transferência do trecho da BR-365 entre Patrocínio e Montes Claros pela União. Desde 2023, reuniões técnicas entre Governo de Minas, Ministério dos Transportes e BNDES, responsável pelos estudos, buscam padronizar critérios de segurança, cronogramas de investimento e regras de operação com o programa federal. Veja o anúncio do projeto divulgado nas redes sociais da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais, via Instagram:
Quais serviços operacionais ao usuário serão oferecidos?
O sistema de concessão abrange não apenas obras físicas, mas também um pacote de serviços operacionais ao usuário, desenhado para garantir resposta mais rápida a ocorrências. Em um corredor com alta circulação de caminhões do agronegócio, esses serviços tendem a diminuir perdas materiais, tempo de viagem e o número de vítimas em acidentes:
- Guincho leve e pesado 24 horas;
- Socorro médico e mecânico permanente;
- Bases operacionais distribuídas ao longo do trecho;
- Monitoramento e controle de tráfego em tempo real.
Quais os benefícios das obras nas rodovias de MG?
Os efeitos da concessão devem ir além da melhoria física das rodovias, com projeção de aumento da competitividade da cadeia produtiva regional pela redução de custos logísticos e maior confiabilidade dos prazos. Nos 19 municípios cortados pelo lote, como Patrocínio, Patos de Minas, João Pinheiro, Pirapora, Montes Claros, Corinto e Brasilândia de Minas, espera-se geração de empregos em obras e operação, além de impulso a serviços locais e ao comércio.
Do ponto de vista social, duplicações, acostamentos, passarelas e melhorias em acessos enfrentam um histórico de alta acidentalidade em trechos críticos. Com menos interrupções e maior controle operacional, a tendência é de redução de colisões frontais, atropelamentos e ocorrências ligadas à falta de acostamento ou sinalização, aumentando a segurança para moradores, produtores e transportadores. Veja os impactos das obras:
Redução de acidentes com a modernização e duplicação de trechos críticos.
Diminuição de congestionamentos e tempo de viagem nas BRs e rodovias estaduais.
Facilita transporte de cargas, beneficiando comércio, indústria e agronegócio.
Obras criam vagas diretas e indiretas durante a execução do projeto.
Conecta cidades e regiões, fortalecendo logística e turismo em MG.
Estradas melhores diminuem desgaste de veículos e consumo de combustível.