Durante uma conferência internacional de combate ao antissemitismo em Israel, nesta segunda-feira (26/1), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao atual posicionamento do Brasil em temas sensíveis da política externa e de segurança, relacionando essas decisões à saída do país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) e à forma como o governo lida com facções criminosas e o debate sobre terrorismo.
Quais foram as críticas de Eduardo Bolsonaro a Lula em Israel?
A principal crítica de Eduardo Bolsonaro ao governo Lula, durante a conferência em Israel, foi a saída do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), anunciada em julho de 2025. Segundo ele, não haveria justificativa para o país se afastar de uma organização voltada à preservação da memória do genocídio de judeus na Segunda Guerra Mundial.
Eduardo ressaltou que o Brasil abriga uma das maiores comunidades judaicas da América Latina, o que, em sua visão, tornaria ainda mais relevante a permanência na IHRA. Ele questionou simbolicamente por que o Palácio do Planalto rejeitaria a continuidade de políticas de educação sobre o Holocausto, associando o gesto a um desalinhamento moral em um contexto global de preocupação com o crescimento do antissemitismo. Veja o pronunciamento de Eduardo Bolsonaro (Reprodução/X/@visegrad24):
🇧🇷 Brazilian Congressman Eduardo Bolsonaro (@BolsonaroSP): "Anti-Semitism today does not always wear a swastika. It hides behind NGOs, humanitarian language, and academic jargon, like the word anti-Zionism." pic.twitter.com/VBua29psG9
— Visegrád 24 (@visegrad24) January 26, 2026
Como Eduardo Bolsonaro analisou a política externa?
O ex-deputado afirmou que o antissemitismo, atualmente, nem sempre se apresenta de forma explícita, podendo se ocultar em discursos de ONGs, movimentos políticos e no uso do termo “antissionista”. Essa associação buscou conectar a política externa brasileira ao debate sobre Israel e à forma como a comunidade internacional enxerga a defesa do Estado judeu.
Ao discursar para representantes de diversos países, Eduardo apontou que o abandono de fóruns internacionais ligados à memória do Holocausto seria percebido como sinal político. Segundo ele, isso afetaria a credibilidade do Brasil em agendas de direitos humanos, de combate ao ódio religioso e de preservação histórica, com reflexos na imagem do país junto a aliados ocidentais.
O que Eduardo Bolsonaro disse sobre terrorismo e facções brasileiras?
Outro ponto central do discurso foi a relação entre o governo Lula, o combate ao terrorismo e a classificação de organizações criminosas. Eduardo criticou o fato de o Executivo federal não ter reconhecido formalmente facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas, diferentemente do que já ocorreu em países vizinhos.
De acordo com ele, serviços de inteligência acompanham com atenção a região de fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, estratégica para o crime organizado e o tráfico internacional. Eduardo declarou que essas facções brasileiras manteriam vínculos com grupos como Hezbollah e Jihad Islâmica, aproximando o debate de segurança pública interna de agendas globais de combate ao terrorismo.
Como Flávio Bolsonaro foi projetado politicamente na conferência?
A participação de Eduardo Bolsonaro em Israel esteve conectada a um movimento político mais amplo de seu grupo. Ele pediu apoio internacional à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, usando o evento como vitrine para posicionar o senador em um ambiente de visibilidade global e diálogo com lideranças estrangeiras.
No encontro, Eduardo integrou uma mesa redonda com parlamentares europeus, o que facilitou aproximações com países que acompanham o avanço do antissemitismo e o cenário político brasileiro. Flávio também está presente na conferência e, segundo a programação, deve discursar em outra sessão, reforçando sua imagem como alternativa presidencial para 2026.