As previsões de Elon Musk sobre o avanço dos robôs humanoides voltaram a chamar atenção. Durante participação no Fórum Econômico Mundial nesta quinta-feira (22/1), o empresário afirmou que, em um futuro não muito distante, haverá “mais robôs do que pessoas” no planeta. A declaração reacende o debate sobre o papel da inteligência artificial, o impacto na rotina doméstica, o uso de máquinas em tarefas de cuidado e assistência e os limites éticos dessa automação.
Quais os impactos da previsão de Elon Musk sobre robôs humanoides?
Segundo Musk, o avanço da inteligência artificial e da robótica tornará economicamente viável produzir esses equipamentos em escala massiva, tornando comum ter um robô em casa, como hoje acontece com smartphones.
Segundo o empresário, a presença de bilhões de humanoides abriria espaço para um modelo de “abundância”, em que tarefas repetitivas, físicas ou de longo cuidado seriam delegadas a essas máquinas. Especialistas destacam, porém, que esse cenário depende de fatores como regulação, custo, infraestrutura energética, aceitação cultural e normas de segurança em ambientes domésticos e profissionais. Veja a fala de Musk no encontro (Reprodução/X/@AdamLowisz):
This is a great discussion by @elonmusk at the WEF in Davos on how Optimus will help the elderly. Our population is aging rapidly. Just the other day my grandmother fell and broke her hip. She lives by herself about an hour drive from me, so it's difficult to be there all the… pic.twitter.com/PCDcaf0xys
— Adam Lowisz X Meetup 🇺🇸🇵🇱🇪🇺🇬🇧🇺🇦 (@AdamLowisz) January 22, 2026
Como o robô Optimus da Tesla pretende mudar o dia a dia?
Um dos pilares dessa visão é o Optimus, robô humanoide em desenvolvimento pela Tesla. O projeto foi apresentado em 2022, quando um protótipo subiu ao palco e apenas acenou para o público, e desde então a empresa divulga atualizações graduais, com previsão de lançamento entre 2027 e os anos seguintes, dependendo de testes, certificações e aprovação regulatória.
Musk afirma que grande parte da tecnologia de autopilot e direção autônoma dos carros da Tesla será reaproveitada no Optimus. Sensores, câmeras, sistemas de visão computacional e algoritmos de tomada de decisão seriam adaptados para que o robô atue em ambientes domésticos e industriais, com tarefas como cuidado de crianças sob supervisão, apoio a idosos, auxílio em linhas de produção e organização de espaços.
De que forma a IA dos carros da Tesla pode alimentar robôs humanoides?
Durante a participação no Fórum Econômico Mundial, Musk reforçou a previsão de que a inteligência artificial superará a inteligência humana até o fim de 2026, pelo menos em certas tarefas cognitivas. Para ele, o mesmo núcleo de IA que hoje aprende a dirigir de forma autônoma poderá controlar movimentos, reconhecer objetos, entender comandos e tomar decisões em tempo real em formato de robô.
Na prática, isso significa que a Tesla tenta usar uma base de dados gigantesca coletada por veículos em circulação para treinar algoritmos que serão aplicados em humanoides. As rotinas que permitem a um carro identificar pedestres, placas e obstáculos podem ser ajustadas para que um robô reconheça móveis, escadas, portas e pessoas, acelerando o desenvolvimento, reduzindo custos e criando novas camadas de risco em caso de falhas.
Como mais robôs do que pessoas podem impactar o mundo?
Se o cenário previsto por Musk se concretizar, a presença de robôs humanoides em larga escala pode alterar vários setores. Na esfera doméstica, máquinas seriam incorporadas à rotina de famílias para tarefas de limpeza, organização, monitoramento e apoio a pessoas com mobilidade reduzida, ao mesmo tempo em que ampliam debates sobre autonomia, dependência tecnológica e desemprego estrutural.
Esse avanço também traz discussões sobre qual será o papel das pessoas em um ambiente altamente automatizado. Questões ligadas à qualificação profissional, redistribuição de renda, privacidade de dados e responsabilidade em caso de falhas tendem a ganhar espaço, exigindo políticas públicas e acordos internacionais para regular o uso de robôs em serviços essenciais, como saúde, educação e cuidado de crianças e idosos.