A construção de uma nova rodovia internacional entre o Brasil e a Guiana está redesenhando o mapa logístico da região Norte. A chamada “superestrada” pretende ligar Roraima à capital guianense, Georgetown, encurtando drasticamente o tempo de viagem entre a Amazônia e o Oceano Atlântico, reduzindo um trajeto que hoje pode levar até 21 dias para uma janela próxima de 48 horas e abrindo uma alternativa estratégica aos portos do Sul e Sudeste.
Como será a superestrada Brasil–Guiana?
Com cerca de 500 quilômetros de extensão e a previsão de até 50 pontes ao longo do caminho, o corredor rodoviário coloca em foco um mercado em expansão no Norte do Brasil e na Guiana. A iniciativa envolve investimentos estimados em até R$ 5 bilhões, além da construção de um porto de águas profundas em Palmyra, na região de Berbice, que deve receber navios de grande porte e funcionar como ponto de saída e entrada de mercadorias.
Atualmente, cargas do Norte percorrem trajetos fluviais e rodoviários longos até portos do Sul e Sudeste; com a nova rodovia conectada ao porto de Palmyra, o percurso até o Atlântico tende a ser encurtado para algo em torno de dois dias. Veja os detalhes da nova rodovia:
🌎 Rodovia Brasil–Guiana
Nova ligação internacional que conectará o Norte do Brasil à Guiana, criando um corredor rodoviário de integração continental.
🛣️ Traçado Estratégico
Ligará o Norte do Brasil à Guiana, formando um novo corredor rodoviário internacional e ampliando rotas logísticas.
💰 Investimento Estimado
Até R$ 5 bilhões, com recursos públicos e possibilidade de parcerias com a iniciativa privada.
🚧 Padrão da Via
Rodovia totalmente pavimentada, com melhorias em segurança, sinalização moderna e maior capacidade de tráfego.
🔗 Integração Regional
Facilitará o comércio exterior, o transporte de cargas e a circulação de pessoas entre países.
📈 Impacto Econômico
Estímulo ao desenvolvimento logístico, comercial e turístico da região Norte do Brasil.
🌍 Importância Geopolítica
Fortalece a integração sul-americana e amplia o acesso brasileiro ao Caribe.
Como será o traçado da rodovia entre a Amazônia e o Atlântico?
O traçado da estrada, do lado guianense, parte de Georgetown e segue por cidades estratégicas como Linden, Mabura Hill, Kurupukari e Lethem, até alcançar Bonfim, em Roraima. No Brasil, a ligação se dá pela ponte sobre o rio Tacutu, que já integra Bonfim e Lethem, permitindo conexão direta com a malha rodoviária de Roraima e, a partir daí, com outros estados da região Norte.
Essa rota cria uma espécie de “porta de saída” atlântica para produtos agrícolas, minérios e demais cargas produzidas na Amazônia, com potencial de atrair operadores logísticos interessados em reduzir custos e prazos. Ao longo do percurso, estudos ambientais e de engenharia buscam equilibrar desenvolvimento com preservação, dado o sensível contexto amazônico. Veja os detalhes deste projeto no vídeo divulgado pelo Governo de Roraima via Instagram:
Como vão funcionar a nova rodovia e o porto de águas profundas de Palmyra?
A superestrada não atua de forma isolada, pois o projeto está associado ao desenvolvimento de um porto de águas profundas em Palmyra, na região de Berbice, na Guiana. Esse terminal terá capacidade para receber navios de grande porte, condição essencial para escoar grandes volumes de carga com eficiência e conectar a Amazônia a rotas marítimas globais.
Para isso, será necessário reconstruir ou erguer até 50 pontes ao longo da rota, adequadas ao tráfego de veículos pesados e fluxo constante de caminhões. Paralelamente, Palmyra vem recebendo investimentos urbanos, com residências, hotéis, shoppings, hospital e até um estádio nacional, consolidando um novo polo voltado a serviços logísticos, industriais e de apoio portuário.
Quem financia a superestrada Brasil–Guiana?
O financiamento da rodovia entre o Brasil e a Guiana é formado por uma combinação de fontes, envolvendo o Banco de Desenvolvimento do Caribe (CDB), o Reino Unido e o governo guianense. O volume total de investimentos, considerando estrada, pontes e obras associadas, pode chegar a cerca de R$ 5 bilhões, segundo estimativas iniciais.
O projeto é de longo prazo e deve levar décadas até ser totalmente concluído, devido à extensão da obra, à complexidade ambiental da região amazônica e às várias etapas de engenharia envolvidas. Um passo importante foi dado em 2022, com a contratação do trecho Linden–Mabura Hill, de cerca de 121 quilômetros, adjudicado à Queiroz Galvão por aproximadamente 190 milhões de dólares.
Quais serão os benefícios logísticos e econômicos para o Norte do Brasil?
A redução de até 21 dias para aproximadamente 48 horas no acesso ao Atlântico pode alterar decisões logísticas de empresas instaladas na Amazônia. Com uma alternativa de saída mais próxima e competitiva, parte das cargas que hoje descem para portos distantes pode migrar para o corredor Brasil–Guiana, favorecendo produtos sensíveis ao tempo e ampliando a competitividade de commodities e manufaturados.
Entre os possíveis efeitos da nova rota, destacam-se mudanças significativas nas cadeias produtivas, na circulação de mercadorias e na atração de investimentos para áreas próximas à fronteira e ao porto de Palmyra:
- Encurtamento de rotas para exportações e importações do Norte do Brasil, com prazos mais previsíveis.
- Diversificação de portos de saída, reduzindo a dependência de terminais concentrados no Sul e Sudeste.
- Estímulo a novos investimentos em logística, armazenagem, processamento de cargas e serviços especializados.
- Integração regional ampliada entre cidades guianenses e brasileiras, impulsionando comércio transfronteiriço e turismo.