A Cidade de Goiás, antiga capital do estado localizada a 140 km de Goiânia, é um Patrimônio Mundial da UNESCO que parou no tempo. Embora a arquitetura colonial seja encantadora, o calçamento “pé de moleque” (pedras irregulares colocadas por escravizados no século XVIII) exige do turista uma preparação física e logística que não existe em cidades históricas mais modernas.
Por que as ruas são um desafio de acessibilidade?
O calçamento original é extremamente irregular e polido pelo tempo, tornando-se escorregadio, especialmente após chuvas. Saltos, chinelos ou sapatos sociais são perigosos aqui. A regra número um para sua segurança é usar tênis com solado aderente ou botas de caminhada.
A circulação de carros no Centro Histórico é restrita e difícil. O ideal é deixar o veículo no estacionamento da pousada e fazer tudo a pé, mas esteja preparado para o calor intenso que emana das pedras durante a tarde.
Como planejar a visita à Procissão do Fogaréu?
Este é o evento máximo da cidade, ocorrendo sempre à meia-noite da Quarta-Feira Santa. Farricocos encapuzados com tochas percorrem a cidade escura encenando a prisão de Cristo. A cidade, que tem cerca de 24 mil habitantes, recebe dezenas de milhares de turistas nessa única noite.
Logística de guerra: Se você deseja ver o Fogaréu, a reserva de hospedagem deve ser feita com até 6 meses de antecedência. O trânsito para na entrada da cidade, e a multidão nas ruas estreitas pode ser sufocante. Se busca tranquilidade, evite a Semana Santa.
Explore a Cidade de Goiás, carinhosamente conhecida como Goiás Velho, a primeira capital do estado e um verdadeiro banho de história reconhecido pela UNESCO. O vídeo é do canal Viajantes de Estação em Estação • S2Station, que conta com mais de 34 mil inscritos, e apresenta um roteiro completo de dois dias e meio com 20 pontos turísticos imperdíveis, incluindo a icônica Casa de Cora Coralina, igrejas coloniais deslumbrantes, a refrescante Cachoeira das Andorinhas e as delícias do legítimo empadão goiano:
A Casa de Cora Coralina é apenas um museu?
Não, a Casa Velha da Ponte é um santuário da literatura brasileira. Diferente de museus frios, a casa preserva a simplicidade da poetisa e doceira, com seus tachos de cobre e o fogão a lenha onde ela fazia os doces cristalizados para vender.
A visita é guiada e obrigatória para entender a alma vilaboense. Prepare-se para pagar a entrada em dinheiro, pois o sinal de internet para máquinas de cartão pode oscilar dentro dos casarões de paredes grossas de adobe.
O Empadão Goiano nasceu aqui?
Embora seja patrimônio do estado, o Empadão Goiano de Goiás Velho é considerado a “matriz”. A receita local é robusta, recheada com frango, guariroba (palmito amargo), linguiça e queijo. É uma refeição completa, não um lanche.
Para a sobremesa ou souvenir, procure pelo Alfenim, um doce de açúcar branco esculpido em formas de animais ou flores, feito por pouquíssimas famílias que guardam a técnica medieval portuguesa.
Quando o calor dá trégua?
O clima do Cerrado é implacável: ou chove muito, ou é muito seco. A melhor época para visitar é no início da seca, quando as chuvas cessam e a vegetação ainda está verde, antes da poeira vermelha dominar o cenário em agosto/setembro.
| Estação/Meses | Temperatura | O que esperar |
|---|---|---|
| Mai a Jul (Seco) | 16°C a 30°C | Melhor época. Noites frescas, céu azul e Festival de Cinema (FICA) em junho. |
| Ago e Set (Crítico) | 20°C a 36°C | Calor extremo, umidade desértica e risco de queimadas na estrada. |
| Out a Mar (Chuvoso) | 22°C a 32°C | Pedras muito escorregadias, calor úmido e vegetação exuberante. |
Baseado em médias climatológicas históricas para Cidade de Goiás (fonte: Climatempo).
Goiás Velho é poesia escrita em pedra dura
Conhecer a antiga Vila Boa requer respeito ao ritmo lento do interior e cuidado onde pisa:
- Hidrate-se: A umidade baixa exige garrafa de água na mão o tempo todo.
- Souvenir Real: Compre doces cristalizados direto das janelas das doceiras locais.
- Cuidado: Não suba nas pedras da beira do Rio Vermelho, são instáveis.
Você precisa provar um picolé de frutas do cerrado (cajazinho ou murici) na Praça do Coreto para aliviar o calor.