Olinda, vizinha irmã de Recife (basta cruzar uma ponte para mudar de cidade), é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO. O destino é um museu a céu aberto de arquitetura colonial, mas exige preparo físico e planejamento logístico para que o encanto não se transforme em cansaço extremo sob o sol pernambucano.
Por que as ladeiras exigem “Turismo de Atleta”?
O Centro Histórico foi construído sobre colinas íngremes para facilitar a defesa militar no passado. Hoje, isso significa que visitar os principais pontos turísticos, como a Ladeira da Misericórdia (a mais íngreme de todas), requer sapatos antiderrapantes, roupas leves e muita hidratação.
A circulação de carros é restrita e difícil nas vielas estreitas de paralelepípedo. A melhor estratégia é subir de táxi ou aplicativo até o Alto da Sé e fazer o roteiro descendo a pé (“para baixo todo santo ajuda”), economizando energia para aproveitar os ateliês e igrejas.
Como funciona a abordagem dos guias credenciados?
Ao chegar à cidade, é comum ser abordado por diversos guias locais oferecendo serviços. Para sua segurança e qualidade do passeio, dê preferência aos guias credenciados pelo Cadastur, que utilizam crachás oficiais. Eles conhecem a história real e evitam “atalhos” desertos que podem ser inseguros para turistas desacompanhados.
Negocie o valor antecipadamente e deixe claro o tipo de roteiro que deseja. A presença de um guia local ajuda a afastar vendedores insistentes e enriquece a visita com detalhes que não estão nas placas.
Descubra o encanto histórico e a gastronomia da primeira capital de Pernambuco. O vídeo é do canal Diogo Kyrillos – Vida Nômade, que conta com mais de 100 mil inscritos, e apresenta um roteiro de um dia por Olinda, explorando as belezas do Alto da Sé, o famoso restaurante Chef César e as igrejas centenárias que oferecem a melhor vista do Recife:
O Alto da Sé tem a melhor vista (e a melhor tapioca)?
Sim, o Alto da Sé é o mirante oficial, oferecendo uma vista panorâmica espetacular de Olinda com os arranha-céus de Recife ao fundo. É lá que ficam as tradicionais tapioqueiras, patrimônio imaterial da cidade, servindo a autêntica tapioca pernambucana com queijo coalho na brasa.
O local também abriga o Elevador Panorâmico (na caixa d’água), que oferece uma perspectiva de 360 graus. É o ponto ideal para encerrar o dia vendo o pôr do sol, quando a brisa do mar alivia o calor acumulado nas pedras.
Onde vivem os Bonecos Gigantes fora do Carnaval?
Se você não for no Carnaval, pode (e deve) visitar a Casa dos Bonecos Gigantes e a Embaixada de Pernambuco. Esses espaços guardam os bonecos famosos, como o “Homem da Meia-Noite” e celebridades moldadas em papel machê, permitindo fotos de perto que seriam impossíveis na multidão dos blocos.
A cultura permeia toda a cidade, que abriga dezenas de ateliês de artistas plásticos. Confira os pontos culturais obrigatórios:
- Mosteiro de São Bento: Famoso pelo altar folheado a ouro e pelo canto gregoriano nas missas de domingo.
- Convento de São Francisco: O convento franciscano mais antigo do Brasil, repleto de azulejos portugueses.
- Bodega de Véio: Mercearia cultural que é ponto de encontro da boemia, ideal para petiscos e cachaça.
- Mercado da Ribeira: Antigo mercado de escravos transformado em centro de artesanato e gravuras.
O calor interfere na visitação?
O clima é tropical quente e úmido, com sol forte na maior parte do ano. Segundo o Climatempo, a sensação térmica nas ladeiras de pedra pode ser sufocante perto do meio-dia, sendo recomendável fazer os passeios no início da manhã ou fim da tarde.
O planejamento deve considerar o regime de chuvas, que pode tornar as pedras escorregadias:
| Estação/Meses | Temperatura | O que esperar |
|---|---|---|
| Set a Jan (Seco) | 25°C a 32°C | Sol intenso, mar azul e prévias de Carnaval (a partir de novembro). |
| Fev/Mar (Carnaval) | 26°C a 34°C | Cidade lotada, ladeiras intransitáveis e festa 24h. |
| Abr a Ago (Chuvoso) | 22°C a 29°C | Risco de chuvas fortes, ladeiras escorregadias e turismo mais tranquilo. |
Olinda é um teste de resistência recompensador
Visitar a Marim dos Caetés exige disposição física, mas entrega uma das experiências culturais mais ricas do Nordeste:
- Use tênis confortáveis e evite chinelos para não escorregar nas pedras irregulares.
- Beba muita água e use chapéu, pois a sombra é escassa nas ladeiras principais.
- Fique atento aos seus pertences em aglomerações e evite ruas vazias ao anoitecer.
Você precisa comer uma tapioca no Alto da Sé vendo as luzes de Recife acenderem.