Nos últimos anos, a ampliação do consumo de suplementos alimentares ganhou espaço nas prateleiras e nas rotinas de treino, mas também passou a chamar a atenção de autoridades sanitárias. Em 2026, a discussão sobre a segurança desses produtos voltou ao centro do debate com a suspensão de determinadas marcas e fórmulas pela vigilância sanitária brasileira, especialmente pela presença de substâncias sem avaliação adequada e pelos possíveis riscos à saúde de quem faz uso diário desses itens.
O que está em jogo na suspensão de suplementos alimentares?
A suspensão de suplementos pela autoridade sanitária ocorre quando são identificadas falhas que podem comprometer a segurança do produto. No caso recente, itens como Recover Cycles Nutrition, Shot Ritual Cycles Nutrition e Relax Ritual Cycles Nutrition, da empresa Sylvestre Indústria e Comércio de Insumos Alimentícios Ltda., tiveram fabricação, comercialização, importação, distribuição, divulgação e consumo proibidos, com determinação de recolhimento de todos os lotes.
Esses suplementos, mesmo formulados com vegetais ou frutas, continham substâncias classificadas como não avaliadas para uso em alimentos, sem comprovação de segurança em estudos específicos. Quando o ingrediente não passou por avaliação toxicológica e não está enquadrado nas normas da categoria de suplemento alimentar, o produto não pode permanecer no mercado, sob risco de causar efeitos adversos, interações medicamentosas ou danos cumulativos ao organismo.
Suplementos com extrato de cogumelo são seguros para consumo?
Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi o uso de “extrato de cogumelo rico em vitamina D” em suplementos em pó. Produtos como Fantastic Oat Frutas Vermelhas, Fantastic Oat Banana e Caramelo e Fantastic Oat Maçã e Canela, da empresa Mushin Serviços e Comércio no Geral Ltda., tiveram produção, venda, divulgação e consumo proibidos, também com determinação de recolhimento devido ao uso de ingrediente sem perfil de segurança avaliado para suplementos alimentares.
Além disso, esses produtos eram divulgados com alegações de saúde como “reduz níveis de colesterol ruins” e “controla níveis de açúcar no sangue”, sem comprovação científica aceita pela regulamentação. O uso de extratos de cogumelo como fonte de vitamina D ilustra o desafio regulatório atual, pois o processo de extração e concentração pode gerar substâncias com comportamento distinto do alimento in natura, exigindo avaliação técnica prévia.
Como identificar se um suplemento alimentar está regularizado?
Em um mercado com grande oferta de cápsulas, pós e líquidos, a verificação de regularidade é essencial para reduzir o risco de exposição a substâncias sem avaliação de segurança. Alguns cuidados básicos facilitam a escolha de produtos mais confiáveis e alinhados às normas vigentes, principalmente para quem utiliza suplementos de forma contínua.
Ao analisar o rótulo e o histórico do fabricante, o consumidor consegue identificar sinais de transparência e conformidade regulatória. A lista a seguir reúne pontos práticos que podem ser observados antes da compra:
Checklist: sinais de alerta em suplementos
1) Rótulo completo (sem “buracos”)
Procure lista de ingredientes detalhada, informações nutricionais, identificação do fabricante e número de registro ou notificação na autoridade sanitária.
✅ Boa prática: dados verificáveis2) Desconfie de termos vagos e “milagrosos”
Expressões como “fórmula secreta”, “ingrediente exclusivo” ou “tecnologia revolucionária” sem explicação técnica clara podem indicar falta de transparência.
⚠️ Atenção: promessa sem prova3) Alegações de saúde fora do permitido
Promessas de cura, emagrecimento rápido, controle de doenças crônicas ou substituição de medicamentos costumam ir além do que é permitido para suplementos.
⛔ Sinal forte de irregularidade4) Canal de venda suspeito
Itens vendidos exclusivamente em redes sociais, sem dados da empresa e sem nota fiscal, exigem atenção redobrada.
📌 Priorize: loja com CNPJ + NFQuais cuidados o consumidor deve adotar antes de iniciar um suplemento?
A adoção de um suplemento envolve mais do que a escolha de uma marca conhecida e exige avaliação personalizada. Consultar profissionais de saúde ajuda a considerar doenças pré-existentes, uso de medicamentos, gestação, lactação e necessidades nutricionais reais, evitando o uso desnecessário ou potencialmente arriscado.
Também é importante analisar atentamente os ingredientes, respeitar as doses recomendadas e observar possíveis reações. Em caso de sintomas inesperados, como alterações gastrointestinais, reações de pele, palpitações ou outros sinais incomuns, o uso deve ser suspenso e um serviço de saúde deve ser procurado. Dessa forma, a atuação de órgãos reguladores e o comportamento cuidadoso do consumidor contribuem para um uso de suplementos mais seguro e responsável.