A expansão da indústria de veículos elétricos no Brasil ganhou um novo capítulo com o anúncio de uma megafábrica de chassis de ônibus elétricos da BYD, gigante chinesa do setor de mobilidade e energia limpa, que prevê uma unidade em estado brasileiro, abertura de vagas de emprego e reforço do país como um dos principais focos da empresa fora da China, somando-se à fábrica de carros elétricos e híbridos inaugurada em outubro em Camaçari, na Bahia.
Como será a construção da megafábrica da BYD?
O plano da BYD prevê um prazo para que a nova unidade esteja em plena operação. A estrutura será instalada em estado brasileiro e representa forte ampliação em relação à planta atual de chassis em Campinas, que ocupa cerca de 7 mil m².
Desde 2015, Campinas produz chassis de ônibus elétricos, mas a demanda superou a capacidade instalada. Com o novo parque fabril, a fabricante projeta até 7 mil chassis por ano, frente às 600 unidades produzidas na última década, acompanhando o interesse crescente de prefeituras e empresas de transporte.
Quantos empregos a megafábrica da BYD deverá criar no Brasil?
Um dos pontos de maior destaque é a previsão de geração de empregos diretos na nova planta. A unidade de Campinas emprega entre 80 e 100 trabalhadores, enquanto a futura fábrica deve contar com uma equipe de vários funcionários.
Esse aumento abre espaço para perfis diversos, de funções operacionais a áreas técnicas, engenharia, logística e gestão. Veja as características da megafábrica:
| Aspecto | Descrição |
|---|---|
| Capacidade de produção | Capacidade estimada para produzir 6 000–7 000 chassis por ano. |
| Produtos fabricados | Chassis para ônibus elétricos (e potencialmente caminhões elétricos) que hoje são importados. |
| Empregos criados | Geração de empregos diretos quando estiver totalmente em operação. |
| Objetivo estratégico | Tornar o Brasil núcleo industrial regional para atender mercado interno e exportações na América do Sul (e, no futuro, possivelmente África). |
| Localização | Ainda em análise. |
Como a estratégia da BYD no Brasil fortalece a expansão regional?
A megafábrica de chassis se soma à entrada da BYD no mercado de carros de passeio a partir de 2023. Em Camaçari, na Bahia, a empresa assumiu a antiga fábrica da Ford em um investimento estimado bilhões, com capacidade inicial de cerca de 150 mil veículos por ano.
A projeção é de até 20 mil empregos diretos e indiretos na unidade baiana, consolidando o Brasil como centro estratégico para veículos elétricos e híbridos. Do ponto de vista logístico, o país é visto como polo para atender o mercado interno, outros países da América do Sul e, em uma etapa posterior, regiões da África. Veja os detalhes da produção da empresa no vídeo divulgado pela BYD Brasil:
Quais são os impactos para o transporte público?
A megafábrica está diretamente ligada às políticas de descarbonização do transporte. A maior oferta de ônibus elétricos facilita a renovação de frotas urbanas, reduz emissões de gases de efeito estufa e poluentes locais e melhora a qualidade do ar em grandes cidades brasileiras.
Para gestores públicos e operadores, a produção robusta de chassis no país tende a garantir previsibilidade de fornecimento, peças de reposição e suporte técnico local. Esse movimento também estimula debates sobre infraestrutura de recarga, contratos de energia e novos modelos de financiamento para eletrificação do transporte coletivo. Veja os impactos na região:
- Aceleração da eletrificação das frotas urbanas
Com mais chassis produzidos localmente, a substituição de ônibus a diesel por modelos elétricos pode ganhar escala mais rápida, ampliando a participação desses veículos no transporte público. - Redução de emissões e impactos ambientais nas cidades
Ônibus elétricos evitam emissões significativas de CO₂ e poluentes locais, contribuindo para melhorar a qualidade do ar urbano e reduzir ruído. - Estímulo à inovação e oferta de tecnologia nacional
A fábrica pode fortalecer o desenvolvimento de tecnologia e cadeia produtiva local para veículos elétricos pesados, potencialmente atraindo fornecedores e serviços relacionados. - Possível redução de custos operacionais para operadores
Ônibus elétricos tendem a ter custos de manutenção e energia menores que os a diesel, o que pode aliviar despesas operacionais dos sistemas públicos de transporte. - Geração de empregos e dinamização econômica regional
A instalação e operação da megafábrica deve gerar centenas de empregos diretos e indiretos na região onde for construída.