Uma decisão judicial recente garantiu o ressarcimento a um cliente que teve prejuízo de R$ 30 mil causado pelo golpe do falso suporte bancário. O caso reforça a responsabilidade das instituições financeiras em detectar transações atípicas e serve de alerta para a sofisticação das táticas usadas por estelionatários.
Como funciona o golpe do falso suporte do banco?
Nesta modalidade de fraude, o criminoso entra em contato simulando ser um funcionário da central de segurança da instituição. Para ganhar confiança, utilizam a técnica de spoofing, que mascara o número da chamada e faz aparecer os dígitos oficiais do banco no visor do celular da vítima.
O roteiro geralmente envolve um falso alerta de compra suspeita ou invasão de conta, criando um senso de urgência imediato. Sob o pretexto de “cancelar” a operação ou “limpar” o aparelho de vírus, o golpista induz o cliente a realizar transferências ou instalar aplicativos de acesso remoto.
O banco devolve o dinheiro em caso de golpe?
Neste caso específico, o tribunal entendeu que houve falha na segurança ao permitir uma movimentação que fugia completamente do perfil do correntista. A transferência de alto valor foi considerada uma transação atípica que deveria ter acionado os bloqueios automáticos de prevenção a fraudes.
Decisões como essa, apoiadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), reforçam que é dever do banco identificar anomalias evidentes. Isso cria um precedente importante para consumidores que foram lesados, provando que a instituição responde pelos riscos de falhas em seus sistemas de monitoramento.
Como saber se a ligação do banco é falsa?
Embora a lábia dos criminosos seja envolvente, existem padrões técnicos e comportamentais que bancos reais jamais adotam em atendimentos telefônicos. Conhecer esses indícios de engenharia social é a barreira mais eficaz para interromper a fraude antes que o prejuízo aconteça.
Fique atento a estes comportamentos típicos de estelionatários durante a chamada:
- Solicitação para baixar aplicativos de acesso remoto, como TeamViewer ou AnyDesk;
- Pedido para realizar transferências via PIX com a promessa de “estornar” o valor depois;
- Pressão psicológica insistente para que o procedimento seja feito sem desligar o telefone.
O que fazer ao receber uma chamada suspeita?
A atitude mais segura é desligar imediatamente, sem fornecer nenhuma informação. Jamais digite senhas no teclado, pois se você tiver instalado algum aplicativo malicioso a pedido do golpista, ele poderá visualizar sua tela ou capturar os dados digitados.
Após encerrar a chamada, entre em contato com o banco utilizando outro aparelho telefônico ou o chat oficial do aplicativo. Golpistas utilizam recursos tecnológicos para simular canais oficiais; por isso, iniciar o contato por um meio independente é a única forma de garantir que você fala com a equipe real.
Por que a informação é a melhor defesa contra fraudes?
Proteger seu patrimônio exige desconfiança constante e conhecimento sobre as táticas usadas atualmente. A tecnologia facilita a vida, mas demanda uma postura ativa do usuário para filtrar interações maliciosas disfarçadas de ajuda técnica.
Considere estes pontos fundamentais para manter sua conta bancária segura:
- Bancos nunca pedem transferências para “testar” ou “regularizar” contas;
- A instalação de softwares por telefone é a principal porta de entrada para roubos;
- Compartilhar esse conhecimento com familiares idosos reduz a vulnerabilidade de todos.
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