O anúncio do início das obras do túnel Santos–Guarujá marca um novo capítulo na infraestrutura de transporte do litoral paulista. A expectativa é que a construção comece oficialmente na primeira semana de fevereiro de 2026, em cerimônia prevista para ocorrer entre os dias 2 e 10, no Guarujá, com presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que deverão lançar a “pedra fundamental” e assinar a ordem de serviço.
Qual a importância do túnel Santos–Guarujá?
A obra promete melhorar a mobilidade urbana diária entre dois municípios que funcionam como uma região conurbada, reduzindo o tempo de travessia de até uma hora para cerca de cinco minutos.
O túnel deve aumentar a eficiência logística do Porto de Santos, um dos principais hubs do país, ao reduzir imprevisibilidades e facilitar o acesso de trabalhadores e cargas. Inserido no Novo PAC, o projeto tende a estimular empreendimentos imobiliários, serviços, cadeias ligadas ao porto e ampliar o acesso a empregos, hospitais e universidades.
Como será o túnel Santos–Guarujá e quais tecnologias serão usadas?
O túnel terá cerca de 1,5 quilômetro de extensão, com 870 metros submersos a 21 metros de profundidade. O traçado prevê três faixas por sentido, uma delas preparada para futuro VLT, além de ciclovia, passarela para pedestres e galeria técnica para redes de serviços públicos.
A construção utilizará o método de túnel imerso, com módulos de concreto produzidos em terra, flutuados e afundados no leito do canal, técnica usada em países como Holanda, Japão e China. A Mota-Engil, vencedora da licitação, contará com suporte técnico da China Communications Construction Company (CCCC), experiente em grandes projetos submersos na Ásia.
| Aspecto | Detalhes |
|---|---|
| Localização | • Ligação entre Santos e Guarujá • Sob o canal do Porto |
| Tipo de obra | • Túnel submerso • Tecnologia inédita no Brasil |
| Extensão | • Cerca de 1,5 km (trecho submerso + acessos) |
| Tempo de travessia | • Aproximadamente 5 minutos |
| Capacidade viária | • Pistas para veículos • Faixa para VLT |
| Mobilidade ativa | • Espaço para pedestres • Ciclovia |
| Impacto no tráfego | • Reduz filas de balsas • Aumenta a fluidez regional |
| Investimento estimado | • Aproximadamente R$ 6,8 bilhões |
| Importância estratégica | • Integração metropolitana • Apoio ao Porto de Santos |
Como funciona a parceria público-privada nas obras do projeto?
O contrato foi estruturado como PPP com prazo de 30 anos. No leilão de setembro de 2025, a Mota-Engil ofereceu desconto de 0,5% sobre a contraprestação pública anual de R$ 438 milhões, assumindo a responsabilidade pela construção, operação e manutenção do túnel.
O investimento estimado é de R$ 6,8 bilhões, com até R$ 5,1 bilhões de aporte público, compartilhado entre União e Governo de São Paulo. Os repasses começarão apenas após o início da operação comercial, vinculando parte da remuneração à efetiva entrega e desempenho do serviço ao longo do contrato.
Quais impactos regionais o túnel Santos-Guarujá irá trazer?
O túnel tende a reorganizar a mobilidade na Baixada Santista, com redistribuição de fluxos, alívio nas balsas e possível reconfiguração de linhas de ônibus e da futura rede de VLT. A ciclovia e a passarela favorecem deslocamentos curtos, sustentáveis e cotidianos entre bairros hoje separados pela travessia.
Em termos econômicos, o projeto pode aumentar a previsibilidade das operações portuárias, valorizar áreas próximas aos acessos e atrair novos empreendimentos. Órgãos ambientais, autoridades portuárias e sociedade civil acompanham temas como segurança da navegação, licenciamento, impactos em comunidades lindeiras e monitoramento de emissões e ruído. Veja os detalhes desta obra no vídeo divulgado pelo Governo de SP:
Quais os detalhes sobre os prazos?
A cerimônia prevista para a primeira semana de fevereiro de 2026 marcará o início formal das obras, mas o cronograma completo de execução e inauguração será detalhado após a ordem de serviço. Em geral, haverá etapas de licenciamento, estudos ambientais, preparação de canteiros e fabricação dos módulos antes da instalação no leito do canal, que deverá manter condições seguras de navegação.
Com o avanço do projeto executivo, serão definidos pontos como cobrança ao usuário, integração com o transporte coletivo e fases do VLT. Abaixo, estão algumas das principais questões que ainda geram interesse público e deverão ser esclarecidas oficialmente pelos governos e pela concessionária:
- O túnel Santos–Guarujá terá pedágio? A existência e o valor de pedágio dependerão das definições finais do contrato e da regulamentação. Sabe-se que a remuneração envolverá contraprestações públicas; eventuais tarifas ao usuário serão divulgadas pelos governos.
- As balsas entre Santos e Guarujá vão deixar de operar? A tendência é reavaliar o serviço após o início da operação do túnel. A frota e os horários podem ser ajustados, mas decisões sobre manutenção ou encerramento cabem ao governo estadual e aos órgãos responsáveis.
- O túnel estará preparado para emergências e evacuações? Projetos desse porte incluem sistemas de ventilação, monitoramento, saídas de emergência e planos de evacuação. A galeria técnica pode servir como rota de segurança, seguindo normas de engenharia e proteção civil.
- Haverá impacto na navegação do Porto de Santos? O método de túnel imerso é planejado para manter a segurança da navegação. Traçado e profundidade são definidos com autoridades portuárias e marítimas, minimizando interferências nas rotas de navios e nas operações.