O pedido de falência da Saks Global marca um novo capítulo no varejo de luxo dos Estados Unidos. Controladora de ícones como Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman, a companhia decidiu recorrer à Justiça após acumular dívidas superiores a US$ 5 bilhões, informando que as lojas seguem abertas e que planos de fidelidade, pagamentos a fornecedores e salários dos funcionários serão mantidos.
Como foi a falência da Saks Global e o impacto imediato nas operações?
De acordo com comunicado divulgado nesta quarta-feira (14/1), a Saks Global ingressou com pedido de falência voluntária no Tribunal Distrital do Sul do Texas. O processo segue o chamado chapter 11, que permite à empresa continuar operando enquanto busca reorganizar suas finanças e preservar ativos estratégicos.
A companhia declarou que pretende honrar programas de relacionamento, pagamentos futuros a fornecedores e salários e benefícios dos funcionários durante a reestruturação. Na prática, isso significa que, no curto prazo, lojas físicas e e-commerce da Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman seguem em funcionamento, ainda que sob forte monitoramento do mercado e das autoridades judiciais.
Por que a Saks Global chegou à situação de falência?
A empresa acumula mais de US$ 5 bilhões em dívidas, montante próximo de sua receita anual, inferior a US$ 6 bilhões. Essa relação indica forte pressão sobre o caixa em um contexto de juros elevados, competição intensa e margens mais apertadas no varejo de luxo, tanto em lojas físicas quanto no comércio eletrônico.
Um ponto decisivo foi o não pagamento de cerca de US$ 100 milhões em juros, vencidos em 30 de dezembro de 2025, ligados à compra da Neiman Marcus por aproximadamente US$ 2,7 bilhões em 2024. Segundo a empresa, um plano de financiamento de cerca de US$ 1,75 bilhão, ainda sujeito à aprovação judicial, deve garantir liquidez mínima para sustentar operações, estoques e acordos com parceiros durante a reestruturação.
Quais os principais impactos da falência da Saks Global no varejo de luxo?
O pedido de falência da Saks Global levanta dúvidas sobre o futuro das lojas de departamento de luxo e sobre a dinâmica do mercado premium nos Estados Unidos. Essas redes funcionam como vitrines importantes para grifes internacionais de alta moda, joias, acessórios e cosméticos voltados a um público de alta renda.
Para consumidores, a manutenção das lojas abertas e dos programas de fidelidade reduz o risco de interrupção imediata de serviços, embora cortes de custos e fechamentos seletivos possam ocorrer. Para credores e marcas parceiras, o processo representa um período de renegociações intensas de prazos, descontos, garantias e exposição de marca em um ambiente de maior incerteza.
Quais os próximos passos para a varejista?
O futuro das marcas controladas pela Saks Global dependerá da aprovação e execução do plano de reestruturação pelo tribunal. A administração busca adaptar o modelo de negócios a um cenário de consumo mais digital, com maior foco em eficiência financeira, experiência omnicanal e integração entre lojas físicas e vendas online.
Nesse contexto, especialistas avaliam alguns cenários prováveis de ajuste operacional e financeiro que podem redesenhar o papel dessas lojas no varejo de luxo:
- Renegociação profunda das dívidas, com alongamento de prazos e possível concessão de descontos;
- Venda de ativos selecionados, como imóveis ou marcas, para reduzir o endividamento e reforçar caixa;
- Revisão da quantidade de lojas físicas, priorizando unidades mais rentáveis e estratégicas;
- Fortalecimento de canais digitais, marketplace próprio e programas de relacionamento com clientes de alta renda.