A retomada do acesso à rede social X na Venezuela marcou uma mudança relevante no cenário digital e político do país. Desde a noite de terça-feira (13/1), parte dos usuários passou a conseguir se conectar novamente à plataforma, após mais de um ano de bloqueio determinado pelo então ditador deposto Nicolás Maduro, em um contexto de transição de poder e forte atenção internacional.
Como a rede social X voltou a funcionar na Venezuela?
O bloqueio à rede social X na Venezuela foi imposto em 9 de agosto de 2024, pouco depois da controversa reeleição de Nicolás Maduro, cercada por denúncias de fraude. A plataforma, principal canal de informação e debate público, foi alvo direto da medida, afetando cidadãos comuns, figuras públicas, meios de comunicação e organizações civis em todo o país.
Durante o bloqueio, o acesso ao X ficou restrito a quem dominava ferramentas como redes privadas virtuais (VPN), criando uma divisão informacional. De um lado, uma parcela conectada por vias alternativas; de outro, milhões limitados a mídias tradicionais e redes ainda liberadas, o que reforçou a percepção de controle estatal sobre o ambiente digital.
Como está o acesso ao X nas operadoras venezuelanas em 2026?
O restabelecimento da rede social X na Venezuela ainda é desigual entre as operadoras. Usuários da Digitel relataram acesso normal, confirmado por agências internacionais, enquanto nas redes da Movistar e da estatal Cantv o funcionamento permanece parcial, com instabilidades e momentos de indisponibilidade, sugerindo uma liberação progressiva.
Para a população, essa diferença entre operadoras impacta diretamente o consumo de informação e a participação no debate público. Em algumas regiões, parte dos usuários continua recorrendo a VPNs para garantir conexão estável, enquanto outros já acompanham perfis oficiais, jornalistas independentes e fontes internacionais sem qualquer intermediação técnica.
Por que o X foi bloqueado por Maduro em 2024?
O bloqueio do X na Venezuela ocorreu em um período de forte tensão política, após a eleição presidencial de julho de 2024. A vitória de Nicolás Maduro foi contestada por setores da oposição e por observadores internacionais, que apontaram possíveis fraudes e irregularidades, e poucos dias depois, em 9 de agosto, a plataforma foi suspensa por ordem do governo.
Ministros, parlamentares e instituições ligadas ao chavismo abandonaram oficialmente o X, alterando a dinâmica da comunicação institucional e restringindo canais de crítica e monitoramento público. A partir de então, o uso do X passou a depender quase exclusivamente de VPNs, consolidando a imagem de um ecossistema digital fortemente vigiado e sujeito a decisões políticas repentinas.
Qual é o papel do governo interino na volta da rede social X?
A reabertura do X na Venezuela acontece após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026, em ataques de forças dos Estados Unidos que, segundo dados oficiais, deixaram mais de 100 mortos. Com a saída de Maduro, a presidência interina passou a Delcy Rodríguez, que buscou sinalizar continuidade institucional e abertura controlada, inclusive no campo digital.
Autoridades do alto escalão voltaram a usar a plataforma, gerando novos sinais políticos e informacionais que ajudam a entender a estratégia do governo interino:
- A presidenta interina Delcy Rodríguez anunciou publicamente que retomaria o uso do X, associando o gesto à defesa da estabilidade econômica e social.
- O ministro do Interior, Diosdado Cabello, reativou sua conta, retomando a comunicação direta com apoiadores e críticos.
- Uma publicação na conta de Maduro exibiu foto ao lado de Cilia Flores com a frase “Queremos vocês de volta”, em meio a processos na Justiça dos Estados Unidos por suposto narcotráfico.
- Organizações civis e oposicionistas passaram a monitorar e responder em tempo real às mensagens oficiais, reforçando a disputa narrativa na transição de poder.