O estado de São Paulo ajustou sua política tributária em 2025 e válidas para 2026, criando um filtro rigoroso para a isenção do IPVA em veículos sustentáveis. A nova regra beneficia especificamente carros híbridos flex (etanol/gasolina) e movidos a hidrogênio, gerando debate ao deixar de fora modelos populares importados e tecnologias mais simples.
Como a BYD reagiu para não perder vendas?
Como os veículos da BYD são importados ou não atendem ao critério do motor flex combinado às regras atuais, eles ficaram de fora da isenção oficial do governo. Para não perder competitividade, a marca chinesa contra-atacou com uma promoção própria.
Não se trata de um benefício fiscal do estado, mas sim de uma ação comercial: a montadora anunciou que pagará, do próprio bolso, o IPVA dos clientes que comprarem seus veículos híbridos durante o mês de janeiro de 2025. É uma estratégia temporária para manter o preço atrativo enquanto a fábrica na Bahia não inicia a produção nacional.
Quais carros realmente conseguem a isenção em 2026?
Diferente de anos anteriores, não basta o carro ser “eletrificado”. Para ter direito ao benefício fiscal, o veículo precisa cumprir uma lista de requisitos técnicos que, na prática, favorecem a produção nacional. Os critérios obrigatórios são:
- Motor elétrico potente: Potência mínima de 40 kW.
- Alta voltagem: Sistema elétrico com tensão mínima de 150 volts.
- Combustível renovável: Ser híbrido flex (etanol/gasolina) ou movido a hidrogênio.
- Teto de preço: Valor máximo do veículo limitado a R$ 250 mil.
Essa régua técnica de “150 volts” exclui automaticamente os chamados híbridos leves (MHEV), comuns em marcas como Fiat e Kia, que operam com sistemas de 12V ou 48V. Atualmente, os modelos que melhor se encaixam nessas exigências combinadas são os produzidos pela Toyota no interior paulista (Corolla e Corolla Cross).

Por que São Paulo adotou regras tão específicas?
O desenho da nova lei tem um objetivo econômico claro: fomentar a indústria automotiva local e o uso do etanol. Ao exigir motor flex e alta potência, o governo privilegia tecnologias que já possuem cadeia produtiva instalada no estado.
A medida serve como um incentivo para que outras montadoras, como a General Motors e a Volkswagen, acelerem seus projetos de eletrificação dentro de São Paulo, vinculando a renúncia de impostos à geração de empregos e inovação tecnológica regional.
Carros 100% elétricos têm direito ao benefício?
É importante destacar que os veículos puramente elétricos (BEV) não foram o foco desta legislação específica de isenção total. Em São Paulo, eles seguem regras distintas que podem oferecer apenas descontos parciais ou reembolso de quota-parte (na capital), dependendo da localidade de registro, mas não se enquadram na nova regra do “híbrido flex”.
Leia também: Nova lei destina multas de trânsito para financiar a CNH gratuita e pode beneficiar quase 94 milhões de brasileiros