Um levantamento interno realizado pelos Correios revelou que a estatal amargou um prejuízo de R$ 2.160.861.702,75 em razão da chamada “taxa das blusinhas”. A medida, que contou com o apoio do Ministério da Fazenda, foi proposta e aprovada pelo Congresso Nacional em junho de 2024.
Segundo informações do portal g1, o relatório produzido pela empresa detalha o impacto financeiro da nova taxa. O documento apresenta duas comparações: uma entre a receita estimada e a outra com os valores efetivamente arrecadados pelos Correios ao longo de 2024, evidenciando o tamanho da perda provocada pela medida.
Como os Correios estão lidando com o prejuízo?

O déficit registrado pelos Correios em 2024 foi de R$ 3,2 bilhões, o que gerou preocupações no governo federal. O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, destacou que o segmento internacional foi um dos principais responsáveis pelo desempenho financeiro abaixo do esperado. Durante um evento na Câmara dos Deputados, ele enfatizou que a expectativa de receita foi frustrada, resultando em prejuízos significativos para a empresa.
Para enfrentar essa situação, os Correios estão buscando estratégias para aumentar a eficiência operacional e diversificar suas fontes de receita. O objetivo é mitigar os impactos negativos do Remessa Conforme e garantir a sustentabilidade financeira da estatal no longo prazo.
O que é o programa Remessa Conforme?
O programa Remessa Conforme foi introduzido com o objetivo de facilitar e baratear as compras internacionais para os consumidores brasileiros. A iniciativa reduziu a alíquota do imposto de importação, tornando produtos estrangeiros mais acessíveis. Contudo, essa medida teve consequências significativas para os Correios, que dependem da movimentação de mercadorias internacionais para uma parte substancial de sua receita.
Em uma análise mais detalhada, os Correios estimaram que, mesmo com o Remessa Conforme, poderiam arrecadar R$ 4,9 bilhões em 2024. Porém, o resultado final ficou R$ 1,7 bilhão abaixo dessa previsão, evidenciando o impacto negativo do programa nas finanças da estatal.
Objetivo Principal:
- Agilizar o despacho aduaneiro: Ao antecipar informações sobre as remessas e o pagamento de tributos, o programa busca reduzir o tempo de espera para a liberação das encomendas.
- Aumentar a transparência: O consumidor tem acesso à informação sobre os tributos que serão pagos no momento da compra.
- Combater a sonegação fiscal: O programa busca formalizar as importações e garantir o recolhimento adequado dos impostos.
- Melhorar a experiência do consumidor: Com a agilidade na liberação e a transparência nos custos, a experiência de compra internacional tende a ser aprimorada.
Como Funciona:
As empresas de comércio eletrônico que aderem ao programa (a adesão é voluntária) se comprometem a:
- Informar à Receita Federal, antes da chegada da remessa ao Brasil, dados como:
- Identificação do vendedor e do comprador.
- Descrição das mercadorias.
- Valor dos produtos e do frete.
- Impostos incidentes.
- Recolher o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no momento da venda e repassá-lo aos estados.
- Aplicar a alíquota de Imposto de Importação (II) conforme as regras do programa:
- Isenção do II: Para compras de até US$ 50 (incluindo frete) realizadas por pessoas físicas em empresas participantes do Remessa Conforme.
- Alíquota de 20% de II: A partir de abril de 2025, para compras de até US$ 50 em empresas aderentes ao programa.
- Alíquota de 60% de II: Para compras acima de US$ 50, com um desconto de US$ 20 no valor do imposto a ser pago.
Quais são as perspectivas futuras para os Correios?
O futuro dos Correios depende de como a estatal conseguirá se adaptar às mudanças no mercado internacional e às novas políticas governamentais. A redução na arrecadação exige uma reavaliação das estratégias de negócios e uma busca por novas oportunidades de crescimento.
Além disso, o governo federal está atento à situação dos Correios e pode considerar ajustes no programa Remessa Conforme ou outras medidas para apoiar a estatal. A capacidade dos Correios de inovar e se adaptar será crucial para superar os desafios financeiros e continuar a desempenhar um papel vital no transporte de mercadorias no Brasil.