Nesta quarta-feira (2/4), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomou uma medida significativa ao proibir o armazenamento, comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de lâmpadas fluorescentes de alta potência em equipamentos de bronzeamento artificial. Esta decisão visa reforçar a proibição já existente no Brasil desde 2009, que impede o uso de câmaras de bronzeamento artificial para fins estéticos. A preocupação com a saúde pública é o principal motivador dessa ação, dado o potencial cancerígeno associado a essas práticas.
Estudos científicos têm demonstrado que o uso de câmaras de bronzeamento artificial pode resultar em uma série de problemas de saúde, desde queimaduras até o desenvolvimento de câncer de pele. Apesar da proibição, a utilização irregular desses equipamentos ainda é uma realidade no país, o que levou a Anvisa a intensificar suas medidas regulatórias. A decisão foi apoiada por entidades como a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Quais os perigos do bronzeamento artificial?

O bronzeamento artificial é considerado perigoso devido à exposição intensa e direta à radiação ultravioleta (UV), que é um fator de risco conhecido para o câncer de pele. A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classificou o uso de câmaras de bronzeamento como cancerígeno para humanos. Além do câncer, outros efeitos adversos incluem o envelhecimento precoce da pele, queimaduras e danos oculares.
O bronzeamento artificial, seja por meio de câmaras de bronzeamento (solários) ou lâmpadas UV, apresenta diversos perigos significativos para a saúde:
Aumento do Risco de Câncer de Pele:
- Melanoma: A exposição à radiação UV artificial, especialmente antes dos 35 anos, aumenta consideravelmente o risco de melanoma, o tipo mais perigoso de câncer de pele e uma das principais causas de morte em jovens. Estudos mostram que o uso de solários antes dos 35 anos pode aumentar o risco de melanoma em até 75%.
- Carcinoma Basocelular e Carcinoma Espinocelular: O bronzeamento artificial também eleva o risco desses tipos mais comuns de câncer de pele.
- Danos ao DNA: A radiação UV danifica o DNA das células da pele, levando a um crescimento anormal e ao desenvolvimento de tumores cancerígenos.
Envelhecimento Prematuro da Pele (Fotoenvelhecimento):
- A radiação UVA, predominante em muitas camas de bronzeamento, penetra profundamente na pele, danificando o colágeno e a elastina. Isso causa:
- Rugas e linhas finas
- Perda de elasticidade e flacidez
- Manchas escuras (hiperpigmentação)
- Textura áspera e couroza da pele
Danos Oculares:
- A exposição à radiação UV sem proteção adequada pode causar:
- Catarata: Opacificação do cristalino do olho, levando à visão turva e possível cegueira.
- Melanoma ocular: Câncer nos olhos.
- Fotoceratite e Fotoconjuntivite: Inflamação dolorosa da córnea e da conjuntiva (membrana que reveste o interior das pálpebras e a parte branca do olho).
- Pterígio: Crescimento anormal de tecido na córnea que pode bloquear a visão.
Supressão do Sistema Imunológico:
- A radiação UV pode enfraquecer o sistema imunológico da pele e do corpo, tornando-o menos eficaz na defesa contra infecções e no combate a células cancerígenas.
Quais são os efeitos na saúde?
Os danos à saúde decorrentes do uso de câmaras de bronzeamento artificial são variados e podem ser severos. Entre os principais efeitos estão:
- Câncer de pele: A exposição aos raios UV aumenta significativamente o risco de desenvolver melanoma e outros tipos de câncer de pele.
- Envelhecimento da pele: O uso frequente pode acelerar o aparecimento de rugas e perda de elasticidade.
- Queimaduras e ferimentos cutâneos: A radiação pode causar queimaduras dolorosas e lesões na pele.
- Lesões oculares: Problemas como fotoqueratite, inflamação da córnea e da íris, fotoconjuntivite e catarata precoce podem ocorrer.
Como a Anvisa está enfrentando o problema?
A Anvisa está tomando medidas legais para garantir que a proibição seja respeitada em todo o território nacional. Apesar de algumas Assembleias Legislativas Estaduais e Municipais estarem aprovando o uso de câmaras de bronzeamento de forma irregular, a agência está determinada a proteger a saúde da população. A Anvisa afirma que essas leis locais contrariam a norma federal e que providências legais serão tomadas para resguardar a saúde pública.
Com a intensificação das medidas regulatórias e o apoio de entidades de saúde, espera-se que o uso de câmaras de bronzeamento artificial diminua significativamente no Brasil. A conscientização sobre os riscos associados a essas práticas é crucial para a proteção da saúde pública. A Anvisa continua a monitorar e agir contra o uso irregular desses equipamentos, visando garantir que a legislação seja cumprida e que a população esteja protegida dos perigos do bronzeamento artificial.