A vereadora de São Paulo e jurista Janaina Paschoal (Progressistas) revelou que está colaborando com o Partido Novo na análise de dados das urnas eletrônicas utilizadas nas eleições deste ano. A iniciativa busca identificar possíveis inconsistências nos registros de votação e reunir informações para uma avaliação técnica mais detalhada do processo eleitoral.
Durante participação no programa Pleno Time, nesta terça-feira (4), Janaina contou que procurou o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, e colocou seu gabinete à disposição para auxiliar no levantamento. O trabalho envolve a comparação de informações do primeiro e do segundo turno, além da análise de registros de diferentes equipamentos de votação.
“No gabinete, nós estamos fazendo uma avaliação de várias urnas, para entender melhor quais foram os votos que efetivamente entraram entre 17 e 19 horas”, explicou a parlamentar.
Segundo Janaina, a análise também considera possíveis instabilidades no funcionamento dos equipamentos. Entre os documentos avaliados estão os boletins de urna e os chamados logs, arquivos que registram informações sobre o funcionamento das máquinas durante a votação.
Esses registros, conforme explicou a jurista, permitem verificar dados como a quantidade de eleitores que conseguiram utilizar a identificação biométrica, o número de pessoas que enfrentaram dificuldades no reconhecimento das digitais e as situações em que foi necessária a liberação do voto por um mesário.
O Partido Novo assumiu a iniciativa de questionar aspectos do processo eleitoral e contestar o resultado das eleições. A legenda defende uma investigação técnica dos dados disponíveis para esclarecer dúvidas relacionadas à votação.
Janaina fez questão de ressaltar que a iniciativa não significa uma afirmação de que houve fraude nas eleições. Para ela, o caminho adequado é a realização de uma auditoria independente, capaz de confrontar os registros e verificar eventuais divergências.
“Eu não estou afirmando que teve fraude. Estou falando para contratar uma auditoria séria, para verificar esses números todos, comparar os boletins de urna e os logs de urna”, declarou.
A vereadora também rebateu possíveis críticas de que a iniciativa representaria uma tentativa de deslegitimar o processo democrático. Na avaliação dela, a fiscalização e os questionamentos sobre os resultados fazem parte do papel de quem atua na oposição.
“Não porque esteja convicta de que o resultado não seria esse, mas porque tenho a convicção de que numa democracia isso é um direito e até um dever”, afirmou.
A jurista destacou que pretende contribuir com uma análise técnica dos registros eleitorais, defendendo que os dados sejam examinados para esclarecer possíveis dúvidas sobre o funcionamento das urnas e a contabilização dos votos.