A receita das exportações brasileiras de café caiu 8,6% entre janeiro e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A redução representa US$ 952 milhões a menos no faturamento do setor, mesmo diante da expectativa de uma safra recorde no país neste ano.
De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a receita recuou de US$ 11,065 bilhões, nos nove primeiros meses de 2025, para US$ 10,113 bilhões em 2026.
O volume embarcado permaneceu praticamente estável. Foram exportadas 29,095 milhões de sacas de 60 quilos, uma redução de apenas 0,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Os números indicam que a queda no faturamento ocorreu principalmente pela diminuição do valor médio obtido com as vendas internacionais.
Segundo o Cecafé, entre os fatores que contribuíram para o resultado estão a redução das cotações internacionais, a qualidade dos primeiros lotes da nova safra e o aumento da participação de cafés com menor valor médio na pauta de exportações.
Setor cobra medidas do governo
Além das condições do mercado internacional, representantes das empresas exportadoras apontam dificuldades estruturais no Brasil. Entre as preocupações estão problemas na infraestrutura, aumento dos custos logísticos e incertezas relacionadas à implementação da reforma tributária.
Diante do recuo na receita, representantes do setor cobram medidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para enfrentar os entraves e melhorar as condições de competitividade do café brasileiro no mercado externo.
O resultado chama atenção porque ocorre em um ano marcado pela expectativa de produção recorde. Mesmo com um volume de embarques praticamente igual ao registrado em 2025, o país recebeu menos recursos pelas exportações nos primeiros nove meses de 2026.