O Banco Central do Paraguai iniciou um processo de resolução do Ueno Bank, uma das principais instituições digitais do país, após identificar uma grave insuficiência de capital. A crise levou à renúncia do presidente do órgão regulador, Carlos Carvallo, na terça-feira (3).
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles nesta quarta-feira (04), Carvallo deixou o cargo a pedido do presidente paraguaio, Santiago Peña, mas afirmou que permanecerá à frente da instituição durante o processo de resolução, com o objetivo de garantir a continuidade dos trabalhos.
O caso levantou questionamentos sobre a fiscalização do banco e as relações políticas envolvendo a instituição. Carvallo presidiu o Ueno antes de assumir o comando do Banco Central, em 2023. Peña, por sua vez, foi sócio do grupo controlador da instituição até março de 2025.
O Ministério Público paraguaio solicitou a abertura de uma investigação criminal e determinou a prisão de dirigentes ligados ao banco. As apurações envolvem suspeitas sobre a gestão da instituição e empréstimos concedidos a empresas relacionadas ao grupo controlador.
O processo de resolução busca proteger os depositantes e preservar a estabilidade financeira. O Banco Central designou auditores para avaliar a situação patrimonial da instituição. Durante a crise, clientes relataram encontrar agências fechadas e enfrentar dificuldades para movimentar recursos pelo aplicativo.
O Ueno Bank possui cerca de 3 milhões de clientes e administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos. Entre os correntistas estão aposentados que recebem benefícios por meio da instituição.
Garantia de depósitos
O Banco Central informou que os depósitos contam com garantia de até 75 salários mínimos, o equivalente a aproximadamente US$ 38 mil por cliente. Estimativas preliminares indicam que o limite deve proteger cerca de 97% dos depositantes.
O governo também anunciou que pretende acelerar, por meio de um projeto de lei, os pagamentos aos correntistas e assegurar a devolução de recursos públicos e de fundos de aposentadoria.
A autoridade monetária afirma que o caso é isolado e não representa um problema generalizado no sistema financeiro paraguaio.
