O Senado do Paraguai aprovou, por unanimidade, nesta sexta-feira (6), a destituição do então presidente Santiago Peña, em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank. Após a decisão, o ex-vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país e deverá permanecer no cargo até agosto de 2028.
Além da saída do poder, Peña passou a ser alvo de uma ordem de prisão expedida pelo Ministério Público paraguaio. Ele é investigado por suspeitas de irregularidades relacionadas ao banco, incluindo possíveis conflitos de interesse e interferência na fiscalização da instituição. O ex-presidente nega ter cometido irregularidades.
A votação ocorreu durante um processo de impeachment que avançou em meio à pressão da oposição e a manifestações populares. Peña havia anunciado sua renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso manteve o processo de destituição para evitar que a saída voluntária do cargo garantisse a ele a condição de senador vitalício e a imunidade parlamentar.
Crise do banco provocou turbulência política
O escândalo ganhou força após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, na terça-feira (3), diante de problemas nos indicadores de solvência da instituição. A medida provocou o bloqueio de contas e deixou milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.
O banco tinha aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava mais de US$ 800 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos ligados a fundos previdenciários e órgãos estatais.
As acusações contra Peña envolvem sua antiga participação societária no grupo controlador do banco, vendida em 2025, além de possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos e na atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização financeira.
O ex-presidente também é investigado por suspeitas de que sua gestão teria permitido práticas irregulares envolvendo depósitos públicos e a supervisão da instituição.
A crise provocou protestos em diferentes cidades paraguaias e levou ao afastamento de autoridades ligadas ao setor financeiro. O caso também resultou em investigações contra executivos do Ueno Bank, incluindo seu principal acionista, Miguel Vázquez.
Com a destituição de Peña e a ordem de prisão, o escândalo bancário passou a representar uma das maiores crises políticas recentes do Paraguai.
