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Início Política

Paraguai mergulha em crise política após pedido de renúncia do presidente

Por Junior Melo
05/nov/2026
Em Política
Reprodução/X

Reprodução/X

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O Congresso do Paraguai suspendeu a sessão que discutia o pedido de renúncia do presidente Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), em meio à crise política provocada pelo colapso do banco Ueno. A votação ficou marcada por um impasse após parlamentares governistas deixarem o plenário, em uma tentativa de interromper os trabalhos quando o resultado se mostrava desfavorável ao mandatário.

A saída dos congressistas provocou uma recontagem dos presentes pelo presidente do Congresso, Basilio Núñez. Para dar continuidade à sessão, é necessário manter o quórum mínimo previsto pelas regras legislativas.

O impasse ocorre depois que a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura de um processo de impeachment contra Peña, com 78 votos favoráveis. A decisão foi encaminhada ao Senado, responsável pelo julgamento político do presidente.

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Caso a renúncia seja rejeitada, o processo de impeachment poderá prosseguir. A oposição defende que o julgamento seja concluído antes de qualquer decisão sobre a saída do presidente, alegando que a aceitação da renúncia poderia garantir a Peña benefícios jurídicos e políticos.

OPOSIÇÃO QUER IMPEDIR FORO PRIVILEGIADO

O principal ponto de disputa é a situação jurídica de Santiago Peña após deixar a Presidência. Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes que concluem seus mandatos ou renunciam podem assumir uma cadeira de senador vitalício, sem direito a voto, mas com prerrogativas parlamentares e foro privilegiado.

A oposição teme que a aprovação da renúncia permita que Peña obtenha essas garantias e dificulte eventuais investigações criminais relacionadas à crise bancária. Caso seja condenado em processo de impeachment, ele perde o direito de ocupar a cadeira vitalícia.

Por isso, parlamentares oposicionistas defendem que o Senado dê continuidade ao julgamento político, mesmo após o anúncio da renúncia.

SENADOR AFIRMA QUE PEÑA TERIA DEIXADO O PAÍS

Em meio à tensão no Congresso, o senador oposicionista Rubén Velásquez afirmou que Santiago Peña teria deixado o Paraguai com destino à Argentina. A informação foi apresentada pelo parlamentar durante as discussões sobre o futuro político do presidente, mas não havia confirmação independente do suposto deslocamento.

A renúncia de Peña foi anunciada poucas horas antes da aprovação do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados. O presidente justificou a decisão como uma medida para preservar a estabilidade nacional e as instituições democráticas.

VICE-PRESIDENTE DEVE ASSUMIR O COMANDO DO PAÍS

Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana aparece como sucessor constitucional para assumir o comando do Executivo e concluir o mandato, previsto para agosto de 2028.

Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, o Congresso deverá organizar a posse de Alliana e posteriormente escolher um novo vice-presidente para ocupar a vaga.

A crise política começou após o Banco Central do Paraguai determinar a liquidação do Ueno, instituição financeira que possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e teve problemas graves de solvência. O episódio deixou milhões de pessoas temporariamente sem acesso aos próprios recursos e provocou protestos em diferentes regiões do país.

A situação também colocou Peña no centro de acusações de conflito de interesses, já que ele foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025. O presidente nega irregularidades, mas a oposição cobra responsabilização política e judicial pelos prejuízos provocados pela crise financeira.

O futuro político de Santiago Peña depende agora das decisões do Congresso, que precisa definir se aceita sua renúncia ou dá continuidade ao processo de impeachment.

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