O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a condução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2026 e cobrou uma atuação imparcial da Corte, presidida pelo ministro Kassio Nunes Marques.
Segundo informações divulgadas pelo SBT News nesta terça-feira (03), em publicação nas redes sociais na noite de segunda-feira (2), Gilmar afirmou que a atuação colegiada do tribunal foi fundamental para garantir o cumprimento das regras democráticas durante o processo eleitoral. Para ele, porém, a integridade institucional não deveria depender de intervenções do conjunto de ministros a cada eleição.
“Daqueles que dirigem o órgão responsável por organizar a votação, espera-se a posição imparcial do árbitro que a Constituição pressupõe”, escreveu.
O ministro também afirmou que “silêncios e hesitações não são neutros” em órgãos responsáveis por decisões de grande importância. Segundo ele, a falta de manifestações pode abrir espaço para decisões contraditórias e obrigar outras instâncias a resolver questões que deveriam ser solucionadas pelo próprio tribunal eleitoral.
“Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, no entanto, não pode depender apenas da força do órgão colegiado”, acrescentou.
Impasse entre STF e TSE no segundo turno
As declarações ocorrem após um impasse entre o STF e o TSE durante o segundo turno das eleições, realizado em 25 de outubro. Na ocasião, as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitaram a prorrogação do horário de votação até as 19h, alegando dificuldades no transporte de eleitores e problemas provocados pelas condições climáticas.
Enquanto Nunes Marques solicitava informações para analisar os pedidos, o ministro Cristiano Zanin, do STF, atendeu a uma solicitação da campanha de Lula e determinou, às 16h57, a extensão do horário de votação em todo o país.
A decisão foi registrada no sistema do Supremo às 17h01, após o horário inicialmente previsto para o encerramento da votação. A medida provocou dúvidas e confusão em seções eleitorais.
Apesar do episódio, Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral conseguiu concluir a apuração com segurança.
“Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e à competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança”, declarou.
A Justiça Eleitoral também recebeu centenas de processos relacionados às eleições de 2026, incluindo disputas entre as campanhas presidenciais sobre propaganda eleitoral nas redes sociais.