Líder do partido Yashar recebeu o mandato do presidente Isaac Herzog, mas precisará superar divergências na oposição e negociar o apoio dos partidos árabes.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, decidiu confiar a Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, a tarefa de tentar formar um novo governo. A cerimônia oficial de entrega do mandato está prevista para este domingo, às 17h, na Residência Presidencial, em Jerusalém.
Caso não consiga concluir as negociações no prazo inicial, Eisenkot poderá receber uma extensão de até 14 dias.
Em publicação na rede social X, o líder da oposição defendeu a formação de uma administração de emergência nacional. “É hora de formar um governo de emergência nacional. Farei de tudo para que sejamos dignos”, escreveu.
Partidos árabes podem definir o resultado das negociações
Eisenkot terá pela frente um cenário de impasse político. Tanto o bloco do Yashar quanto a coalizão liderada por Benjamin Netanyahu não conseguiram reunir, até agora, apoio suficiente para garantir a maioria no Parlamento israelense.
As projeções indicam que o grupo de Netanyahu terá 53 cadeiras, enquanto o bloco oposicionista contará com 48. No Knesset, que possui 120 integrantes, são necessários pelo menos 61 votos para formar uma maioria.
Nesse cenário, os partidos árabes, que somam 19 assentos, podem se tornar decisivos para a composição do próximo governo.
Uma aproximação entre Eisenkot e essas legendas poderia abrir caminho para uma coalizão de oposição. O líder do Partido Democrata, Yair Golan, defendeu que os integrantes do bloco superem as divergências internas para viabilizar um acordo.
A possibilidade, porém, enfrenta resistência. Os líderes de direita Avigdor Lieberman e Naftali Bennett, que integram a oposição, já descartaram a participação dos partidos árabes em um eventual governo.
O principal desafio de Eisenkot será, portanto, construir uma maioria parlamentar sem provocar o rompimento com aliados que rejeitam esse tipo de aliança.
Da carreira militar à liderança da oposição
Filho de imigrantes marroquinos e de origem mizrahi, Gadi Eisenkot é general das Forças de Defesa de Israel. Ele ingressou na Brigada Golani em 1978 e construiu uma carreira militar de quatro décadas, chegando ao posto de chefe do Estado-Maior, função que exerceu entre 2015 e 2019, durante o governo de Netanyahu.
Sua entrada na política ocorreu em 2022, quando se uniu a outro ex-chefe do Estado-Maior, Benny Gantz. Os dois passaram a integrar o governo de emergência formado após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Em junho de 2024, deixaram o gabinete de guerra, alegando falta de uma estratégia clara para o período posterior ao conflito.
Desde então, Eisenkot se consolidou como uma das principais vozes de oposição ao primeiro-ministro.
Morte do filho marcou trajetória durante a guerra
A trajetória pessoal de Eisenkot também foi marcada pela perda de seu filho mais novo, Gal, morto em 7 de dezembro de 2023, enquanto combatia na guerra contra o Hamas. A morte ocorreu dois meses depois do ataque de 7 de outubro.
Em abril de 2026, em artigo publicado no jornal Yedioth Ahronoth, o político recordou o filho e afirmou que havia feito uma promessa diante de seu túmulo.
“Sobre o túmulo de Gal, eu jurei que o preço que ele e seus amigos pagaram, aqueles que ele conhecia e aqueles que ele não conhecia, não seria em vão”, escreveu.