A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima que a proibição das apostas esportivas on-line, conhecidas como bets, poderá provocar uma perda de R$ 420 milhões em receitas já em 2027. Segundo a entidade, o prejuízo financeiro tende a aumentar nos anos seguintes, com reflexos sobre clubes, federações e todo o futebol brasileiro.
A estimativa foi apresentada nesta terça-feira (3), durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), que discute os efeitos da medida provisória (MP) que proibiu as apostas on-line no país.
De acordo com a CBF, a possível saída das empresas de apostas ocorre em um momento estratégico para o futebol nacional. A entidade e as federações estaduais negociavam contratos de patrocínio para o ciclo de 2027 a 2030, período em que a restrição poderá afetar diretamente as receitas comerciais.
Os dados apresentados pela confederação apontam que 27 dos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro masculino têm empresas de apostas como patrocinadoras principais. Juntos, esses contratos movimentam aproximadamente R$ 1 bilhão, valor equivalente a 35% de toda a arrecadação dos clubes com patrocínios.
Durante a audiência, o representante da CBF alertou que a retirada dessas empresas do mercado poderá provocar uma oferta excessiva de espaços publicitários e de patrocínio. Com mais propriedades comerciais disponíveis e menos interessados em ocupá-las, os valores pagos aos clubes também poderão diminuir.
Impacto pode atingir negociações de jogadores
A avaliação da entidade é que a redução das receitas de patrocínio poderá obrigar clubes a negociar jogadores para compensar as perdas financeiras. Com um número maior de atletas disponíveis no mercado, os valores das transferências também poderiam sofrer queda.
“O efeito é cumulativo, uma bola de neve negativa para todo o ecossistema do futebol brasileiro. Todo o ecossistema perderá valor”, afirmou o representante da confederação.
A CBF defendeu que a discussão sobre a proibição considere não apenas os aspectos relacionados à proteção da saúde pública, mas também as consequências econômicas e esportivas da medida.
“A CBF acredita, confia, que os Três Poderes saberão chegar a uma solução adequada, razoável, proporcional para a questão, onde se equilibrem as importantes questões de saúde pública […] e também a segurança jurídica, o desenvolvimento econômico e desenvolvimento esportivo”, declarou.
A discussão no STF envolve, portanto, os possíveis efeitos da restrição ao mercado de apostas sobre diferentes setores, incluindo o financiamento dos clubes e a estrutura comercial do futebol brasileiro.